Defesa do MC Poze do Rodo cita racismo e diz que ele é 'suspeito eterno'

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A defesa de Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, o MC Poze do Rodo, defendeu a inocência dele e disse que há uma "perseguição policial" motivada pelo racismo. O artista foi solto neste mês após ser preso por suposto esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 1,6 bilhão.

Poze é um "suspeito eterno" no Brasil, afirma. Em entrevista exclusiva ao Metrópoles, o advogado Fernando Henrique Cardoso Neves declarou que se trata de uma "desinformação policial" pelo fato de seu cliente ser um homem negro e funkeiro.

Ele negou que o cliente faça parte do esquema. "Fato é que ele não recebeu nenhuma transferência bancária e, em uma investigação de lavagem de dinheiro, é algo assim essencial", acrescentou. Autoridades ainda apuram a participação do homem.

Um artista que, independente do gosto musical das pessoas que eventualmente vão assistir, é premiado na Europa e tratado enquanto um suspeito eterno no Brasil. Advogado Fernando Henrique Cardoso Neves

Para o profissional, operações policiais como a em questão miram pessoas racializadas. "Essas operações são a parte do todo, são uma metonímia de explicação do por quê no Brasil é muito fácil, simples e rápido ir atrás de pessoas que são pretas e que vêm de camadas pobres da sociedade", argumenta.

A decisão de soltura de Poze foi assinada pela desembargadora Louise Vilela Leite Filgueiras, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. A magistrada revogou a prisão preventiva do cantor e impôs medidas cautelares, como a entrega do passaporte, comparecer mensalmente em juízo e não deixar o Rio de Janeiro por mais de cinco dias sem autorização.

Ele foi solto no dia 14 de maio após um mês no Complexo de Gericinó, em Bangu, na zona oeste do Rio. "Não tenho ligação e nem envolvimento com nada. Não tenho envolvimento com facção", afirmou na saída do presídio. Ele apareceu de bermuda, camiseta branca e chinelo ao lado de familiares e amigos na saída do presídio. Um grupo de fãs também acompanhou a soltura do MC.

Poze havia sido detido em ação que prendeu também o cantor MC Ryan e do dono da página Choquei, Raphael Sousa Oliveira. Ryan foi apontado pela PF (Polícia Federal) como líder e beneficiário econômico da engrenagem criminosa relacionada a casas de apostas ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas.

Os três foram soltos, mas a investigação continua. Tribunal federal considerou que ainda não havia denúncia formal apresentada pelo MPF (Ministério Público Federal) contra os investigados. A Justiça entendeu que houve excesso de prazo na prisão preventiva e que faltavam elementos concretos para justificar a manutenção da prisão.