Cacique Raoni recebe alta hospitalar após internação por problemas respiratórios em MT

Por ALÉXIA SOUSA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O cacique Raoni Metuktire, 93, recebeu alta hospitalar na manhã desta quinta-feira (21), após apresentar evolução clínica satisfatória durante o período de internação no Hospital Dois Pinheiros, em Sinop (MT).

Segundo boletim médico divulgado pela unidade, o líder indígena deixou o hospital às 9h30, em condição estável, e seguiu em transporte aéreo assistido até a região onde vive, em município próximo a Sinop. Ele foi acompanhado por um familiar e contou com suporte da equipe médica do hospital até o local de embarque.

Segundo os médicos, Raoni apresentou melhora progressiva dos quadros respiratório e gastrointestinal durante a internação, incluindo a resolução do desconforto abdominal. O hospital informou ainda que ele recebeu alta assintomático, sem febre, com estabilidade hemodinâmica e boa aceitação alimentar.

O cacique permanecerá em acompanhamento clínico domiciliar, com monitoramento diário do quadro respiratório, manutenção das medicações prescritas, fisioterapia respiratória contínua e acompanhamento nutricional.

A equipe médica recomendou acompanhamento por cuidadores em tempo integral, restrição de contato com pessoas com doenças infectocontagiosas e suspensão temporária de viagens prolongadas, com duração superior a três horas, por via terrestre ou aérea.

Segundo o hospital, familiares de Raoni passaram por treinamento presencial com a equipe de fisioterapia da unidade antes da alta. Eles receberam orientações sobre manobras respiratórias e cuidados específicos que deverão ser realizados diariamente na aldeia.

Raoni havia sido internado novamente na última quinta-feira (14), após apresentar um novo mal-estar clínico. No início de maio, ele já havia passado cinco dias no mesmo hospital para tratar dores abdominais relacionadas a uma hérnia.

Reconhecido internacionalmente pela defesa da Amazônia e dos povos indígenas, Raoni ganhou notoriedade nos anos 1970 ao se posicionar contra a construção da rodovia Transamazônica durante a ditadura militar (1964-1985).