Deolane é transferida para penitenciária a 670 km da cidade de São Paulo

Por LORENA BARROS E EDUARDA ESTEVES

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A influenciadora Deolane Bezerra, presa nesta quinta-feira (21) por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC, foi transferida na manhã desta sexta-feira (23) para uma penitenciária no interior de São Paulo.

Deolane foi levada para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista às 5h. As informações sobre a transferência foram confirmadas ao UOL por duas fontes diferentes ligadas à Administração Penitenciária e à Segurança Pública de São Paulo.

Expectativa é de que ela chegue à cidade do interior de São Paulo às 12h. A unidade prisional para qual Deolane foi enviada fica a 671 quilômetros da Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte de São Paulo, onde ela dormiu hoje.

Local onde Deolane vai ficar está com ocupação acima da capacidade. A penitenciária foi inaugurada em 2011 com capacidade para 714 detentas e, segundo dados atualizados pela Secretaria de Administração Penitenciária ontem, tem 872 pessoas.

Unidade prisional fica a cerca de 20 km de distância da divisa de São Paulo com Mato Grosso do Sul. A expectativa é de que o delegado responsável pela investigação vá até a cidade para ouvir a influenciadora após a análise do material apreendido ontem.

Deolane teve a prisão validada em audiência de custódia ontem. Depois disso, ela passou a noite em uma prisão feminina na zona norte de São Paulo.

A defesa dela alega que a prisão da influenciadora foi uma "medida desproporcional". Em nota, assinada pela irmã de Deolane, Daniele Bezerra, e por outros cinco advogados, eles afirmam que a mulher é "absolutamente inocente".

RELEMBRE O CASO

Deolane foi presa ontem por suspeita de operar um esquema milionário de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital). Denominada de Vérnix, a operação que prendeu a influenciadora foi deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo com o Ministério Público. Além dela, familiares de Marcos Herbas Camacho, o Marcola, e o próprio foram alvos de mandados de prisão preventiva.

Investigação teve origem na troca de bilhetes e manuscritos ligados ao PCC. Material foi apreendido há sete anos em um presídio em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.

Bilhetes apreendidos em 2019 levaram a abertura de três inquéritos policiais. A polícia descobriu detalhes da estrutura financeira do PCC e identificou operadores financeiros da facção. As informações foram apresentadas em coletiva de imprensa realizada na tarde de hoje.

Manuscritos foram encontrados com dois presos e continham ordens internas da facção. Além disso, bilhetes também mostravam contatos com integrantes do alto escalão do PCC e referências a ações violentas contra servidores públicos. Um dos bilhetes, encontrado na cela de Gilmar Pinheiro Feitoza, o Cigano, afirmava que "aquela mulher da transportadora já entregou tudo certinho até o endereço novo do Bizzoto", ex-diretor de uma unidade prisional alvo de plano de atentado.

Tal menção levou a polícia a investigar transportadoras próximas à penitenciária. No inquérito, as autoridades identificaram Elidiane Saldanha Lopes Lemos, sócia da Lopes Lemos Transportes Ltda. Segundo a polícia, a apuração avançou a partir dessa transportadora e descobriu que a empresa não era apenas uma prestadora de serviços, mas uma "criação da própria facção".

Bilhetes não mencionaram o nome de Deolane diretamente. No entanto, eles foram o pontapé inicial que permitiu às autoridades chegarem até ela em fases posteriores.

Deolane foi identificada como beneficiária de vultosos valores oriundos da transportadora. Segundo os autos, ela teria recebido valores da empresa, descrita pelas autoridades como criada para operar o "branqueamento de recursos ilícitos".

Para os investigadores, ela era um "caixa do crime organizado". Segundo as apurações, o dinheiro do crime era depositado na conta dela para se misturar com outros valores e ser devolvido em momentos oportunos.

Fontes da Polícia Civil afirmaram que Deolane "sentiu o baque" ao descobrir que os mandados tinham relação com uma transportadora. Uma das maiores evidências de que ela tinha conhecimento da ação criminosa para a polícia é a inexistência de qualquer contrato, mesmo com a grande movimentação financeiro.

A irmã dela, Daniele Bezerra, afirmou que "tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações". Em publicação nas redes sociais, ela disse que a prisão nasce de alegações "cercadas de ilações, narrativas e perseguições".