Deolane Bezerra é transferida para penitenciária no interior de SP

Por FRANCISCO LIMA NETO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A advogada e influenciadora Deolane Bezerra, presa na quinta-feira (21), em Barueri, sob suspeita de envolvimento em lavagem de dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital), foi transferida nesta sexta-feira (22) da Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte da capital paulista, para a Penitenciária Feminina de Tupi paulista, no interior de São Paulo.

Ela passou a noite na unidade da capital e, às 5h, deixou o local sob escolta, em direção ao interior. A informação foi confirmada por Osvaldo Nico Gonçalves, secretário da Segurança Pública do estado de São Paulo.

A distância entre os dois presídios é de cerca de 670 km e a viagem deve durar por volta de 8 horas. Ela deve chegar à penitenciária do interior perto das 13h.

Deolane foi presa na Operação Vérnix, da Polícia Civil de São Paulo com o Ministério Público. Ela é suspeita de lavar dinheiro da facção criminosa por meio de uma transportadora de fachada.

A investigação diz que ela funciona como uma espécie de caixa do crime organizado.

A operação também cumpriu mandados de prisão contra Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o chefe máximo da facção, e parentes dele. Marcola está preso em uma penitenciária federal de segurança máxima em Brasília desde 2023.

A defesa de Deolane afirma que ela é inocente e classifica as medidas contra a influenciadora como desproporcionais.

"Ressaltamos a sua mais absoluta inocência, bem como, que os fatos serão devidamente esclarecidos por esta, em momento oportuno", traz nota assinada por grupo de seis advogados. "Por hora e como o devido acatamento, consideramos desproporcionais as medidas firmadas em face de Deolane e esta banca de defesa seguirá cooperando tecnicamente com a Justiça para demonstrar a licitude de suas atividades na condição de advogada que é, confiando plenamente no discernimento, na razoabilidade e na imparcialidade do Poder Judiciário", completa a nota.

Já Bruno Ferullo, que defende Marcola, seu imão e uma sobrinha ?todos alvos de mandados de prisão na ação desta quinta? afirmou que o cliente não coordena a facção de dentro da cadeia, como apontam as autoridades.

Foram decretadas seis prisões preventivas, bloqueios de valores superiores a R$ 327 milhões, sequestro de 17 veículos, incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de quatro imóveis vinculados aos investigados.

INVESTIGAÇÃO COMEÇOU EM 2019 COM APREENSÃO DE BILHETES

A investigação começou em 2019, quando bilhetes foram apreendidos pela Polícia Penal em uma penitenciária de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, com dois presos.

Segundo a polícia, a análise do material apreendido possibilitou a identificação de ordens internas do PCC, contatos com integrantes da alta hierarquia e menções a atos violentos contra servidores públicos.

Um dos trechos analisados mencionava uma "mulher da transportadora" que teria sido responsável pela informação de endereços de agentes públicos alvos de ataques planejados.

Um segundo inquérito procurou identificar quem é essa mulher e qual a relação dela com a transportadora do PCC. Os investigadores chegaram a uma empresa de transportes de Presidente Venceslau que seria usada para lavagem de dinheiro.

A investigação chegou até Deolane depois de identificar a ligação dela com Everton de Souza, o Player. Ele é apontado pela polícia como gestor indireto da transportadora Lado a Lado, suspeita de pertencer ao PCC.

Segundo a polícia, a facção colocava na transportadora o dinheiro arrecadado com atividades criminosas, que depois era repassado para outras pessoas. Everton era o responsável por indicar quem deveria receber a parte referente a Alejandro Camacho, diz a investigação.

A ordem era supostamente dada a Ciro Cesar Lemos, que figura junto com a esposa Elidiane Saldanha Lopes Lemos como proprietários legais da Lado a Lado. Os policiais afirmam que parte desse dinheiro foi depositado em contas de Deolane.

A quebra dos sigilos bancários, diz a investigação, demonstrou que Deolane movimentou milhões em nome do PCC, emprestando sua estrutura financeira e "aparente respeitabilidade social" para colocar o dinheiro do crime organizado no sistema financeiro formal.

"O crime deposita recursos na figura pública, os valores se misturam a outros com origem lícita e depois retornam ao crime organizado", disse o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sergio Oliveira Costa.

Deolane, segundo as investigações, chegou a abrir 35 empresas num mesmo endereço residencial. Os estabelecimentos, todos fictícios segundo as autoridades, criavam uma espécie de teia de movimentação financeira que dificultava a rastreabilidade dos recursos.

DEOLANE FOI PRESA EM 2024

Deolane Bezerra já havia sido presa em investigação sobre jogos ilegais e lavagem de dinheiro. Ela foi um dos alvos da Operação Integration, uma cooperação da Polícia Civil de Recife e do Ministério Público, em 4 de setembro de 2024.

Ela foi detida com a mãe, Solange Alves, no bairro de Boa Viagem, zona sul da cidade. A investigação foi iniciada em abril de 2023 com a intenção de identificar e desarticular organização criminosa voltada à prática de jogos ilegais e lavagem de dinheiro.

Segundo o inquérito, a quadrilha usava várias empresas de eventos, publicidade, casas de câmbio, seguros e outras para lavagem de dinheiro feita por meio de depósitos e transações bancárias.

Deolane e a mãe foram soltas 20 dias depois, após as prisões preventivas serem revogadas.