Irmã de Deolane tentou sacar R$ 1 milhão em espécie, e Itaú viu sinal de lavagem de dinheiro, diz polícia
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Itaú mandou a família de Deolane Bezerra encerrar suas relações com a instituição financeira após barrar um saque de R$ 1 milhão em espécie por indícios de lavagem de dinheiro.
As informações constam do relatório final elaborado pela Polícia Civil de São Paulo no âmbito do inquérito que apura o elo entre Deolane e o PCC, o Primeiro Comando da Capital.
Com 22 milhões de seguidores no Instagram, a influenciadora foi presa nesta quinta-feira (21) numa operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo. Ela é suspeita de lavar dinheiro para a facção criminosa.
A defesa de Deolane sustenta que ela é inocente e declarou nesta sexta (22) que "os fatos serão devidamente esclarecidos em momento oportuno". Não comentou a polêmica entre ela e o Itaú em específico.
A defesa afirmou ainda ter entrado com um habeas corpus contra a prisão de sua cliente e disse ter solicitado regime domiciliar à influenciadora.
O caso envolvendo o Itaú ocorreu em 24 de novembro de 2023. Quem tentou sacar o valor foi a irmã de Deolane, Dayanne Bezerra, cuja defesa a reportagem não localizou.
Ela argumentou ao Itaú que o valor seria utilizado para a aquisição de um imóvel. Mas o banco viu problemas nessa operação "pela desconfiança de se tratar de ato de lavagem de dinheiro", afirma a Polícia Civil.
A instituição financeira chegou a oferecer a modalidade de transferência eletrônica em vez do saque, alternativa recusada pelos Bezerra.
"Deste modo, o banco concedeu a Deolane e aos seus familiares o prazo de até 14 de janeiro para o encerramento das suas contas", diz o relatório da autoridade policial.
A influenciadora reagiu: processou o banco argumentando que a ordem para o fim das contas era irregular. Não há informações sobre o desfecho do processo.
A polícia considera o episódio um importante indício do esquema de lavagem de dinheiro de Deolane.
A investigação diz que a influenciadora atuava como uma espécie de caixa do crime organizado.
Ela teria recebido mais de R$ 1 milhão em repasses de uma transportadora considerada pivô do esquema de lavagem de dinheiro, segundo a polícia.
Deolane, segundo as investigações, chegou a abrir 35 empresas num mesmo endereço residencial. Os estabelecimentos, todos fictícios segundo as autoridades, criavam uma espécie de teia de movimentação financeira que dificultava a rastreabilidade dos recursos.
A operação que a levou à prisão também cumpriu mandados contra Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado há mais de duas décadas como o líder do PCC.
Marcola está preso numa penitenciária federal de segurança máxima em Brasília.
Sua defesa disse nesta quinta-feira que ainda toma conhecimento dos autos, mas declarou ser praticamente impossível que Marcola comande a facção de dentro do sistema penitenciário, como afirmam autoridades.
Parentes dele também foram alvo da polícia e do Ministério Público na quinta.