Valor de mensalidade de curso superior cai no presencial e EAD, com exceção de medicina
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Os valores das mensalidades de ensino superior privado caíram em 2026 tanto nos cursos da modalidade presencial quanto no EAD (educação a distância). A exceção é a medicina, cujo preço cresce ao menos desde 2012 e chegou a R$ 11.415 por mês neste ano.
Os dados são de estudo da consultoria Hoper Educação e da Abmes (Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior), realizado a partir de análise em 80% dos cursos do país e divulgado nesta sexta-feira (22) no 18º Congresso Brasileiro da Educação Superior, que ocorre no Rio de Janeiro.
O valor das mensalidades no presencial caiu 4,3% em 2026, depois de dois anos de registro de alta e chegou a R$ 835. Já no EAD, a queda de preços foi de 1,8% em relação ao ano passado, alcançando R$ 214.
Os valores são expressos pela mediana (que divide o conjunto de preços exatamente no meio), atualizados pela inflação. A metodologia considera valores efetivamente pagos, incluindo descontos.
Na modalidade presencial, os preços refletem sobretudo o praticado nos cursos de direito e da área de saúde (como psicologia e enfermagem), que concentram muitas matrículas. Pedagogia, administração e educação física têm esse papel no EAD.
Na medicina, o aumento de valores tem tido menor ritmo a partir de 2023, reflexo da recente expansão de vagas, sobretudo por decisões judiciais. O estudo identificou, além da mediana de R$ 11.415, mensalidades que chegam a R$ 15.778.
"O ponto central é observar que a expansão da oferta começa a produzir um ciclo de maturação competitiva, como ocorreu em outros cursos de saúde de alto valor", destaca o estudo.
O trabalho captura algumas características do mercado de ensino superior: a queda de valores das mensalidades no presencial tem início a partir de 2015, após ao menos três anos de alta puxada pela expansão do Fies, programa de financiamento estudantil do governo federal.
O movimento se intensifica com mudanças na regulação do setor, como a permissão para mais aulas online mesmo em cursos presenciais e a grande expansão do EAD a partir do afrouxamento nas regras para a abertura de polos de apoio aos cursos em 2017 ?regra alterada pelo atual governo.
A pandemia, com a interrupção de aulas presenciais, também colaborou com o cenário. O número de ingressantes em cursos EAD superou o de presencial a partir de 2020, e desde então a diferença só cresce. Em 2024, as matrículas no EAD superaram as do presencial pela primeira vez (dos 10,2 milhões de matriculados, 51% estão em cursos a distância).
A pesquisa indica algumas conclusões a partir dos dados, como a grande pressão competitiva entre as instituições, a segmentação da medicina, com altos preços ainda em crescimento, e o aumento de relevância dos cursos semipresenciais ?modelo híbrido entre o EAD e presencial, já ofertado em muitas instituições, embora a modalidade em si só tenha sido oficializada como modalidade no ano passado com um novo marco regulatório.
"Há grande competitividade e, em 2026, percebe-se que a oferta do semipresencial impacta na redução do valor do presencial", disse o diretor-geral da Abmes, Paulo Chanan.
"Para o aluno, fazer faculdade ficou mais barato, mas é um desafio para as instituições", completa Chanan.
"Com pressão inflacionária, as pessoas têm menos dinheiro, e a instituição tem de dar mais desconto", diz o CEO da Hoper Educação, Caio Polizel. "Quem não mostrar diferencial dos cursos precisa disputar preço".
Uma das quedas de preços mais expressivas de mensalidades foi na engenharia. A mediana passou de R$ 1.743 em 2016 para R$ 967 neste ano. A interpretação da Hoper e da Abmes é que há migração de alunos para o EAD e para formato semipresencial ?o novo marco regulatório do EAD, de 2025, proibiu engenharias no formato a distância, sendo liberado apenas semipresencial e presencial.
Cerca de 400 pessoas participam do 18º Congresso Brasileiro da Educação Superior. O evento teve início na quinta (21) e a programação segue até o sábado, com discussões sobre o mercado, inovações e regulação.
Diferente de outras edições, o MEC (Ministério da Educação) não enviou representantes para participar dos debates. A Abmes foi uma das instituições que entraram na justiça contra a divulgação dos dados do Enamed, avaliação federal dos cursos de medicina.
O repórter viajou a convite do 18º Congresso Brasileiro da Educação Superior