Médicos do Emílio Ribas, em SP, anunciam paralisação contra terceirização

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Residentes e médicos do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, anunciaram que vão paralisar os atendimentos nesta terça-feira (26) em um ato contra a terceirização no hospital.

Mobilização deve reunir profissionais, pacientes e apoiadores em frente à unidade. O ato é organizado pela AMIIER (Associação dos Médicos do Instituto de Infectologia Emílio Ribas). A programação começa às 9h com uma oficina de cartazes e segue às 11h com assembleia do corpo clínico.

Protesto inclui caminhada até a Secretaria de Saúde para entregar uma carta com reivindicações ao governo paulista. A associação afirma que a manifestação pode fechar parcialmente a avenida Dr. Arnaldo, na região do hospital.

Entidade diz que o hospital troca equipes concursadas por terceirizados mesmo com aprovados em concursos à espera de convocação. "O Emílio Ribas vive um processo contínuo de precarização. A terceirização não abriu um único leito novo, apenas substituiu profissionais do estado por contratos terceirizados. Enquanto isso, temos médicos infectologistas, enfermeiros e outros profissionais aprovados em concurso esperando para serem chamados", afirma Claudia Mello, presidente da AMIIER.

Residentes também aderem ao movimento e vão paralisar atendimentos como forma de apoio ao ato. "Trata-se de um centro de referência nacional, historicamente ligado ao enfrentamento de epidemias e ao desenvolvimento de protocolos, pesquisa e formação especializada em infectologia. Não é possível ter uma formação adequada em um equipamento sucateado e com vínculos frágeis de trabalho", diz Maria Figueroa, presidente da Associação dos Médicos Residentes.

O QUE A ASSOCIAÇÃO COBRA DO GOVERNO

Associação afirma que a situação piorou após uma nova terceirização iniciada em abril, com impacto direto na UTI. Segundo a entidade, médicos terceirizados passaram a assumir dez leitos que antes ficavam sob responsabilidade de profissionais concursados, reduzindo o espaço de atuação das equipes do Estado.

Prazo de validade do concurso para médicos infectologistas, que termina em 21 de junho, também preocupa. Na carta aberta, a entidade sustenta que o modelo terceirizado sai mais caro, aumenta a rotatividade e prejudica a continuidade do cuidado.

Documento cita estudos feitos durante a pandemia de covid-19 que indicaram mortalidade maior em unidades terceirizadas dentro do próprio hospital. "A lógica da terceirização é incompatível com um hospital altamente especializado e estratégico como o Emílio Ribas. O profissional concursado se fixa, se especializa e constrói vínculo com o serviço. Isso impacta diretamente a qualidade da assistência prestada à população", destaca Cláudia Mello.

Entre os pedidos estão convocar aprovados em concursos e substituir terceirizados por servidores. Além disso, o grupo pede o retorno dos plantões noturnos de fim de semana nas enfermarias com médicos concursados. A lista inclui ainda reabrir leitos prontos hoje fechados por falta de pessoal e concluir obras que, segundo a associação, se arrastam há mais de uma década.

Como medida emergencial, a AMIIER pede a convocação imediata de ao menos 12 infectologistas concursados para ampliar a capacidade de atendimento. A entidade afirma que a medida permitiria abrir 56 leitos.

O UOL procurou a Secretaria de Saúde de São Paulo para um posicionamento e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

SP