Negociação pelo fim da greve de alunos na USP trava, e professores votam se aderem ao movimento
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As negociações pelo fim da greve estudantil na USP (Universidade de São Paulo) permanecem sem avanço. Nas duas reuniões realizadas desde a retomada do diálogo entre a reitoria e os alunos, nenhum progresso foi registrado. O último encontro aconteceu na manhã desta segunda-feira (25).
Na ocasião, a gestão do reitor Aluisio Segurado manteve sua proposta para o encerramento da paralisação. O principal impasse continua sendo o reajuste do Papfe (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil). O auxílio integral é de R$ 885 mensais; os estudantes exigem que o valor chegue ao patamar de um salário mínimo paulista (R$ 1.804). A universidade, por sua vez, oferece reajuste pelo IPC-Fipe, o que elevaria o benefício a apenas R$ 912.
Os grevistas classificam como "absurda" a postura da administração, que criou uma comissão para negociar a volta às aulas. Em nota, o DCE (Diretório Central dos Estudantes) reiterou disposição para "seguir até o fim" na defesa de suas reivindicações.
Nesta tarde, a Adusp (Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo) vota se adere à greve. O movimento dos professores tem como motivação tanto o que consideram uma intransigência da reitoria diante das demandas discentes quanto a campanha salarial em andamento nas instituições estaduais.
O Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) oferece reajuste de 3,47%, enquanto os servidores reivindicam cerca de 7,39%.
A greve dos estudantes da USP completa cinco semanas. O movimento vinha perdendo fôlego até a madrugada do dia 10 de maio, quando a Polícia Militar realizou uma operação para retirar alunos que ocupavam a reitoria. Segundo os estudantes, ao menos cinco pessoas ficaram feridas na ação.
A SSP (Secretaria de Segurança Pública) nega que tenha havido feridos e afirma apurar eventuais excessos. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) declarou apoio à atuação da corporação.
O episódio serviu de estopim para que estudantes da Unesp e da Unicamp, as outras duas universidades estaduais paulistas, deflagrassem e consolidassem boicotes às aulas.
Entre as principais demandas do movimento estão o aumento do orçamento para a educação pública, a contratação de docentes e servidores técnico-administrativos e a melhoria nas políticas de permanência estudantil ?com auxílios em valores mais elevados e melhores condições de moradia.