Pai de Henry Borel diz que vai apresentar nova suspeita de agressão contra Jairinho
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O pai de Henry Borel, Leniel Borel de Almeida Junior, afirmou nesta segunda (25) que pretende apresentar durante o julgamento pela morte do menino um suposto episódio envolvendo outra criança que, segundo ele, não teria sido investigado nem divulgado anteriormente.
O autor dessa agressão, segundo Leniel, é o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho. Ele e a mãe de Henry, Monique Medeiros Costa e Silva, começaram a ser julgados nesta segunda pela morte do menino no 2º Tribunal do Júri da Capital, no centro do Rio de Janeiro.
A declaração foi dada antes da retomada do julgamento. Leniel não deu mais detalhes sobre essa suposta agressão e afirmou que aguardou anos para abordar o assunto porque queria fazer isso durante o julgamento.
Henry Borel tinha 4 anos quando morreu, em março de 2021. A acusação afirma que ele foi espancado por Jairinho.
"Vocês sabiam que tem mais um outro caso que não apareceu, que não foi investigado, que o Jairo queimou uma menina e a mãe não falou? Mas eu aguardei cinco anos para estar aqui. Eu aguardei cinco anos segurando a estratégia porque eu não poderia falar", disse Leniel.
Segundo Leniel, a assistência de acusação pretende utilizar o júri para expor fatos que, de acordo com ele, ajudam a traçar o perfil do ex-vereador e sua relação com crianças.
Ao todo, 27 testemunhas serão ouvidas no julgamento, que contará ainda com a participação de sete jurados, além dos advogados de defesa e da Promotoria, responsáveis pelos debates.
A expectativa é que o julgamento se estenda por vários dias, com apresentação de depoimentos, laudos periciais e argumentos das duas partes. A Promotoria afirma não ter dúvidas sobre a autoria dos crimes atribuídos aos acusados, que negam as acusações.
A investigação aponta que Henry teria sido vítima de pelo menos três episódios de supostas agressões antes da morte. Um dos principais elementos que embasaram essa conclusão foram trocas de mensagens entre a babá do menino e o então noivo.
Em depoimento, a babá relatou que Henry, no mês que antecedeu sua morte, teria se agarrado a ela e rasgado sua blusa ao tentar evitar entrar em um quarto sozinho com Jairinho. Segundo o delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), o menino demonstrava desespero ao ser deixado com o padrasto e, após o ocorrido, Jairinho teria dado R$ 100 à babá para que comprasse uma roupa nova.
Outro episódio citado pela investigação teria ocorrido também em fevereiro de 2021. Conforme relatado pela babá em mensagens ao noivo, Jairinho teria se trancado com Henry no quarto, enquanto ela suspeitava que o então vereador estivesse tampando a boca do menino. A babá afirmou ter ouvido Henry repetir a frase "eu prometo" ao padrasto.
Para os investigadores, o relato reforça a hipótese de que a criança sofria ameaças para não contar à mãe sobre as agressões. Segundo Damasceno, Henry saiu do quarto sem reclamar de dores naquele momento, mas mais tarde teria demonstrado desconforto e se recusado a brincar.
No dia 12 de fevereiro, a babá de Henry relatou que Jairinho levou o menino para o quarto e, pouco depois, a criança saiu mancando e reclamando de dores. Após uma videochamada com a mãe, Monique, em que Henry teria falado sobre agressões, Jairinho voltou ao apartamento exaltado, questionando o menino sobre o que havia contado à mãe. Segundo a babá, Henry, assustado, negava ter dito algo e se recusava a sair do colo dela.
Thayná afirmou que incentivou Henry a relatar o ocorrido na presença de Jairinho, momento em que o menino confirmou ter contado à mãe que havia sido agredido. Em seguida, Monique chegou e saiu de carro com a babá e a criança por quase três horas, durante as quais Henry voltou a confirmar as agressões. Ao retornarem, Monique subiu sozinha ao apartamento e depois desceu com malas prontas.
Apesar de dizer que iria para Bangu, para a casa dos pais, Monique foi vista no dia seguinte, pelas redes sociais, em Mangaratiba com Jairinho, o que causou estranheza à babá. Após o feriado, Thayná voltou ao trabalho e viu um exame de raio-x de Henry; Monique explicou que o menino havia feito exames por dores no joelho, mas disse que "não era nada".
Jairinho responde por homicídio qualificado por meio cruel e pelo uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, com agravante pelo fato de Henry ser menor de 14 anos. Ele também é acusado de três episódios de tortura e coação no curso do processo. Já Monique responde por homicídio qualificado por omissão, com as qualificadoras de motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima, além de tortura e coação.