Médicos do Instituto Emílio Ribas anunciam parasalição nesta terça (26)

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Profissionais do Instituto de Infectologia Emílio Ribas realizam nesta terça-feira (26) uma paralisação em protesto contra a terceirização de equipes e a falta de convocação de aprovados em concurso para o hospital, referência no cuidado de pessoas com HIV.

A manifestação está marcada para as 9h, em frente à unidade, que fica na avenida Dr. Arnaldo, na zona oeste de São Paulo. A previsão é que o ato siga ali até as 12h30, quando os manifestantes sairão em caminhada até a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo.

De acordo com a secretaria, o Emílio Ribas estará funcionando normalmente nesta terça, sem interrupção do atendimento à população.

A Associação dos Médicos do Instituto Emílio Ribas protesta contra a substituição de profissionais concursados por terceirizados e afirma que candidatos aprovados em concurso público ainda aguardam convocação.

A entidade diz ainda que médicos terceirizados passaram a ocupar, em abril deste ano, dez leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) que antes eram operados por servidores concursados.

Segundo a associação, o prazo para convocação dos aprovados em concurso para infectologistas expira em 21 de junho. Os médicos pedem a chamada imediata de ao menos 12 infectologistas, o que, segundo a entidade, permitiria abrir mais 56 leitos que hoje estariam fechados por falta de pessoal.

Marta Ramalho, diretora da Associação dos Médicos do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, afirma que o concurso público em questão foi homologado em junho de 2022 e prorrogado em 2024, com validade até 21 de junho de 2026. Dos 155 infectologistas aprovados, 82 foram convocados.

Além dos médicos, outros profissionais de saúde aprovados em concurso público ainda aguardam convocação, segundo Ramalho. São 961 enfermeiros aprovados, dos quais 242 foram chamados; 138 psicólogos, com 11 convocados; 90 farmacêuticos, com 17 chamados; 89 nutricionistas, com apenas 3 convocados; e 52 assistentes sociais, sendo 14 chamados, ainda de acordo com a diretora da associação.

Os concursos dessas categorias, ela diz, foram homologados em 2023 e prorrogados em 2025. Ela afirma, porém, que em todas as categorias houve terceirização.

Além da UTI, os profissionais denunciam a ausência de médicos concursados nos plantões noturnos de fim de semana nas enfermarias e a paralisação de obras que se arrastam há mais de uma década.

A associação também questiona o custo-benefício do modelo. Segundo os médicos, a terceirização gera alta rotatividade e compromete a continuidade do atendimento.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde afirma que o Emílio Ribas opera com alta demanda, com 90% de ocupação dos leitos de UTI, e que o hospital está em processo de expansão, com a abertura de 38 novos leitos. Para dar conta do aumento de casos de doenças respiratórias no estado, a pasta diz que firmou uma parceria com a Fundação do ABC para reforço temporário das equipes enquanto as etapas de contratação dos aprovados em concurso são concluídas.

Sobre os médicos terceirizados, a secretaria afirma que todos seguem os protocolos do Emílio Ribas e atuam sob supervisão direta das equipes do hospital e da direção técnica.

Quanto às obras, a pasta diz que o instituto vive o maior processo de modernização estrutural de seus 146 anos de história, com intervenções conduzidas de forma planejada e sem prejuízo ao atendimento dos pacientes.

No ano passado, profissionais do Emílio Ribas já tinham cobrado a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) pela convocação de médicos aprovados em concurso público e criticado o avanço de terceirizados na unidade.