Polícia prende argentino sob suspeita de injúria racial contra criança em Tiradentes

Defesa nega teor racista das mensagens, afirma que frases foram tiradas de contexto e diz que suspeito sofre de depressão e faz uso de medicamentos controlados.

Por Folhapress

Viatura

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) -

A polícia prendeu em flagrante no último domingo (24) um argentino de 63 anos suspeito de praticar injúria racial contra uma criança de 7 anos durante um passeio de Maria Fumaça em Tiradentes, no Campo das Vertentes. A prisão foi convertida em preventiva após audiência de custódia realizada na segunda-feira (25).

Segundo o boletim de ocorrência, turistas perceberam o suspeito fotografando a criança e enviando as imagens por aplicativo de mensagens acompanhadas de comentários considerados ofensivos e discriminatórios. Entre as frases registradas, o homem teria afirmado que poderia “levar a criança como escrava”.

Uma testemunha procurou a mãe da criança para relatar o caso. Conforme o registro policial, ao ser abordado, o suspeito teria mostrado as mensagens à mulher. Ele foi contido até a chegada da Polícia Militar, que realizou a prisão em flagrante e apreendeu o celular.

A Polícia Civil informou que a prisão foi ratificada pelo crime de injúria racial. Desde a Lei 14.532/2023, a injúria racial passou a ser equiparada ao crime de racismo, sendo considerada inafiançável e imprescritível, com pena de dois a cinco anos de prisão.

Em nota enviada à imprensa, a defesa do argentino afirmou que as mensagens atribuídas ao cliente foram retiradas de contexto e interpretadas de forma equivocada. Segundo os advogados, as frases teriam sido encaminhadas em conversa privada e “não carregam qualquer intenção discriminatória ou racista”.

A defesa também alegou que o homem enfrenta um quadro de depressão severa, faz uso contínuo de medicamentos controlados e estaria emocionalmente abalado. Os advogados disseram ainda que vão solicitar a revogação da prisão preventiva e afirmaram confiar no esclarecimento dos fatos durante o processo judicial.

O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil.