Justiça de São Paulo nega pedido do MP para prender Oruam preventivamente

Por BEATRIZ GOMES

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A Justiça de São Paulo negou o pedido do MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo) para prender preventivamente (por tempo indeterminado) o cantor Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, réu por disparo de arma de fogo.

MPSP pediu a prisão de Oruam em 5 de maio. O promotor Alan Carlos Reis Silva alegou que rapper é uma pessoa de interesse em investigação por crimes de lavagem de dinheiro e envolvimento com o CV (Comando Vermelho), além de ser alvo de uma apuração por tentativa de homicídio contra policiais civis fluminenses. O MPSP pediu a prisão por Oruam fazer um disparo de espingarda em uma festa em 16 de dezembro de 2024 em Igaratá (SP).

Promotor argumentou que o rapper está foragido, o que inviabilizaria a aplicação da lei penal e comprometeria o cumprimento de eventual condenação. Silva ainda alegou que o paradeiro desconhecido de Oruam apresentava risco concreto e atual de "frustração da aplicação da lei".

Em decisão obtida pelo UOL, a juíza Cláudia Vilibor Breda afirmou que o pedido do MPSP não merecia acolhimento. Ela citou que o réu foi citado no processo através de advogado constituído mediante procuração. Isso, de acordo com a magistrada, mostra a ciência da parte acerca da ação penal e condição do processo.

"Tal situação afasta, ao menos neste momento, qualquer indicativo concreto de intenção de se furtar à aplicação da lei penal ou de prejudicar a marcha processual", disse Cláudia Vilibor Breda, juíza.

Procurado, o MPSP afirmou que o processo ainda não foi encaminhado para ciência do órgão. Eles não divulgaram se pretendem recorrer da decisão.

O QUE DIZ A DEFESA DE ORUAM

Advogado de Oruam disse à reportagem que a decisão judicial é completamente acertada. Siro Darlan de Oliveira afirmou que o cliente é um artista negro da periferia alvo de uma perseguição sem sentido. Segundo o defensor, o inquérito foi inventado e a perícia comprovou que o cliente não usou a arma e, sim, uma similar e não atirou.

"Ele [Oruam] nunca cometeu crime algum. A polícia do Rio o persegue por ser filho de Marcio Nepomuceno [conhecido como Marcinho VP], ter sucesso e falar em suas músicas a verdade sobre a realidade das favelas", disse Siro Darlan de Oliveira, advogado de Oruam, ao UOL.