Esteticista é preso após acidente que matou motorista na avenida do Estado, em São Paulo

Por FRANCISCO LIMA NETO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil de São Paulo prendeu em flagrante o esteticista Pedro Henrique Correia Silva, 21, sob suspeita de homicídio culposo. Ele é apontado como o responsável por um acidente com outros dois veículos na avenida do Estado, em São Paulo, no final da madrugada de segunda-feira (25).

Um dos motoristas envolvidos no acidente teve o carro atingido, caiu no rio Tamanduateí, e morreu.

Pedro Henrique dirigia um Fiat Fastback em alta velocidade, de acordo com o boletim de ocorrência, fez uma conversão indevida, bateu em um VW GOL, rodou na pista e acertou um Chevrolet Corsa, que era dirigido pelo autônomo João Soares da Silva Alexandre de Souza, 59.

João perdeu o controle e caiu com o veículo dentro do rio Tamanduateí. O carro ficou submerso, apenas com as rodas para fora da água.

O Corpo de Bombeiros trabalhou no resgate e, depois de 4 horas de operação, conseguiu içar o carro e encontraram João morto. Ele estava voltando do trabalho.

Testemunhas disseram, segundo o registro policial, que Pedro Henrique estava "meio tonto", com odor etílico e andar cambaleante.

Ele teria chamado um veículo por aplicativo, disse que iria embora e que o seguro buscaria seu carro. Porém, ele foi impedido de deixar o local pelas pessoas que presenciaram o acidente.

Pedro Henrique se recusou a fazer o teste do bafômetro.

Ele foi levado para o 8° Distrito Policial (Brás) e, na presença do advogado, disse que é neurodivergente e que há dois meses foi diagnosticado com bipolaridade e esquizofrenia. O esteticista afirmou que toma dois remédios para tratamento psiquiátrico, de manhã e à noite.

Ele negou a ingestão de bebida alcoólica e afirmou que estava meio tonto. Ele afirmou não ter ideia da velocidade em que estava no momento do acidente.

Pedro afirmou que 15 dias antes do acidente passou por um surto e ficou internado por 15 dias em um hospital psiquiátrico.

Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, ele admitiu que a família o havia proibido de dirigir, mas ele disse que acordou e resolveu passear por São Paulo.

O advogado André de Lima, que o representa, disse que o que ocorreu foi um acidente a que todos estão sujeitos, e que o cliente está arrependido.

"Ele deveria estar interditado. A questão dele é de interdição imediata. Muita coisa poderia ter sido feita para evitar essa tragédia, inclusive a interdição", disse Lima.

O advogado afirmou que o pai e o irmão de Pedro já tinham recolhido a chave do carro de Pedro, mas ele teria feito uma cópia.

"Ele não está dentro de sua capacidade cognitiva de pensamento normal", reforçou o advogado.

Ele passou por audiência de custódia na tarde desta terça-feira (26) e teve a prisão convertida em preventiva (sem prazo).

A defesa afirmou que ele lamenta e chorou muito ao saber da morte de João.

O caso foi registrado como colisão e homicídio culposo na direção de veículo automotor. A autoridade policial aguarda a elaboração do laudo para análise e prossegue com as diligências para o esclarecimento dos fatos e as devidas responsabilizações.