Uber e Ministério Público de SP firmam parceria para ajudar vitímas de violência doméstica
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Uber firmou, na manhã desta quarta-feira (27), um termo de cooperação com o Ministério Público de São Paulo para facilitar o transporte de vítimas de violência doméstica no estado.
Segundo o Ministério Público, a plataforma disponibilizará vouchers promocionais para o transporte sigiloso de vítimas após o atendimento em unidades como o Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência (NAVV) e a Casa da Mulher Brasileira.
O deslocamento terá como destino locais indicados pela própria vítima, como pontos de acolhimento, redes socioassistenciais ou o retorno a um endereço de referência.
Conforme o procurador-geral da Justiça Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, presente no encontro, essa "rota crítica" é o momento em que "muitas [mulheres] acabam desistindo [de quebrar o ciclo da violência]" devido à locomoção, e por isso a parceria se torna essencial.
Analu Cordeiro, gerente de Políticas Públicas da Uber, reforçou o comprometimento da plataforma com as mulheres e que iniciativas como essa "unem o alcance da nossa plataforma com o impacto social do trabalho do Ministério Público para fortalecer ainda mais a rede de proteção para mulheres em situação de vulnerabilidade."
Os vouchers disponibilizados devem permitir um desconto individual de até R$ 40 para viagens no aplicativo. O termo também prevê a distribuição de cem desses cupons por mês, estimando um investimento total da empresa, que arcará integralmente com os custos, de no máximo R$ 48 mil.
Os descontos serão válidos apenas para vítimas de violência de gênero que não têm acesso a um método de transporte próprio no momento de atendimento.
A medida dá prioridade a adolescentes e crianças, especialmente as atendidas na Casa da Mulher Brasileira em São Paulo, onde será destinado à preferência de uso de 60% dos vouchers utilizados.
O acordo deve começar de maneira limitada, operando apenas na capital paulista durante um período piloto de 2 meses, antes de ser expandido bimestralmente pelo estado.
Segundo dados do Atlas da Violência, públicado nesta terça-feira (26), 3.642 mulheres foram assassinadas em 2024, correspondendo a uma taxa de 3,4 mortes por 100 mil habitantes.