Irmão de pedreiro morto pela PM do RJ é detido ao depor, diz advogada da família
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O irmão do pedreiro Marcelo da Cruz Silva, 41, morto durante uma ação da Polícia Militar do Rio de Janeiro na quarta-feira (27) foi detido após depor na delegacia da Polícia Civil, afirmou a advogada da família.
De acordo com a advogada Camila Guimarães Cristino, representante da família de Marcelo, o irmão da vítima, identificado como Márcio, foi detido sob alegação de ter depredado uma viatura da PM após a morte do irmão.
"A justificativa da autoridade policial foi que esse irmão, indignado no ato, pressionou para averiguarem a morte de seu irmão, devido a vestígios de que estavam supostamente manipulando o local. Com isso, a população também se indignou e ocasionou confusão. Feito isso, foi alegado que o irmão Marcio deteriorou uma viatura e por isso ficaria detido", afirmou a advogada.
Procurada por email, a Polícia Civil não se manifestou sobre o caso até a publicação desta reportagem.
Cristino afirmou que Márcio foi liberado após o pagamento de uma fiança de R$ 5.000.
"O que era para a família ser indenizada pelo estado acabou por ser ainda mais lesada. Não tinham nem como pagar o velório da vítima e foram surpreendidos com essa barbárie", afirmou ela.
Marcelo e Edvan Felipe de Assis, 46, foram mortos em Ipuca, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro.
Segundo moradores da região, as vítimas trabalhavam em uma obra e estavam em uma motocicleta levando ferramentas e marmitas quando foram atingidas pelos disparos. Esse material de construção teria sido confundido com armas.
Os dois homens foram encontrados caídos ao lado de ferramentas de obra. Durante a perícia, a Polícia Civil localizou uma ferramenta descrita como uma régua de pedreiro a cerca de 150 metros dos corpos.
Em nota, a Polícia Militar disse que um procedimento apuratório foi instaurado para investigar as circunstâncias em que policiais militares atingiram dois homens em uma motocicleta durante uma ocupação realizada pelo 7º BPM (São Gonçalo).
A corporação afirmou ainda que isolou o local e acionou a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. A PM declarou lamentar as mortes e disse colaborar integralmente com as investigações.