Babá do menino Henry Borel relata suspeitas contra Jairinho no 7º dia de julgamento no Rio

Por BRUNA FANTTI

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O sétimo dia do julgamento do caso Henry Borel começou na manhã deste domingo (31) com o depoimento de Thayná de Oliveira Ferreira, a babá de Henry Borel.

Após responder às perguntas da juíza Elizabeth Machado Louro, a magistrada afirmou que a babá havia se retratado de outros depoimentos contraditórios que havia realizado. Em seguida, a defesa de Monique Medeiros iniciou os questionamentos.

Segundo a denúncia da promotoria, Henry morreu na madrugada de 8 de março de 2021, no apartamento onde morava com a mãe e Jairinho, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. A defesa sustenta a inocência do réu e tem contestado os depoimentos ao longo da última semana.

A acusação aponta que o ex-vereador provocou lesões corporais fatais por meio de agressões contundentes e que Monique, na condição de mãe e responsável legal da criança, teria se omitido diante da violência, contribuindo para a consumação do crime.

Durante o depoimento neste domingo, a babá Thayná, que trabalhou cerca de dois meses com a criança, afirmou que nunca presenciou diretamente agressões contra Henry, porque Jairinho ficava trancado no quarto com o menino.

Segundo ela, os relatos vinham da própria criança ou de sinais percebidos depois dos episódios, como dores, dificuldade para andar e reclamações de dor na cabeça.

A babá descreveu três episódios que considerou suspeitos. Em um deles, Henry saiu do quarto "amoadinho" após ficar sozinho com Jairinho.

Em outro, segundo ela, o menino saiu mancando. Um terceiro ele contou que tinha caído da cama, após ficar com Jairo no quarto, e que estava com uma marca roxa no braço.

Em um dos episódios, no dia 12 de fevereiro de 2021, quando Monique estava no salão de beleza, a babá contou que Jairinho se trancou no quarto com Henry. Ela, então, avisou Monique que, por mensagens, dava instruções.

"Ela pedia para eu bater na porta, escutar alguma coisa", afirmou Thayná, sobre mensagens trocadas com Monique durante um dos episódios. Monique não estava em casa quando as supostas agressões ocorreram.

Segundo a babá, após sair do quarto, Henry reclamou de dores e disse que havia levado uma "banda" e caído da cama.

Ela afirmou ainda que informava Monique em tempo real sobre o comportamento de Jairinho e chegou a recomendar que a mãe instalasse câmeras no apartamento e levasse Henry a um psicólogo.

"Ele não queria sair do meu colo, puxou minha blusa e rasgou", disse Thayná ao relatar a reação de Henry após um dos episódios. Segundo ela, Jairinho deu R$ 100 para comprar outra roupa, gesto que interpretou como tentativa de silenciamento.

Thayná também relatou que, dois dias após o enterro de Henry, foi levada com a empregada Leila Rosângela para um escritório de advocacia.

No local, segundo ela, Monique pediu que apagasse mensagens do celular. Antes de apagar, ela tirou prints, que foram mostrados no plenário. Ainda de acordo com a babá, houve pressão do então advogado para que ela defendesse o casal em uma entrevista a uma emissora.

"A senhora não vai querer incriminar eles, né? Eles são gente boa", disse Thayná, reproduzindo uma fala atribuída ao advogado André França, então defensor do casal. Após a prisão, Jairinho e Monique passaram a ter defesas distintas.

"Apaga as mensagens. Fala que a nossa relação era muito boa", afirmou a babá, atribuindo a fala a Monique. Ainda segundo a babá, o casal vivia brigando e tinham malas prontas para, segundo ela, sair de casa a qualquer momento. Mas, após as brigas, eles se reconciliavam.

Segundo ela, apesar de não querer falar com jornalistas, acabou cedendo à pressão. "Eles ficaram me forçando para eu poder dar essa entrevista. E foi exatamente o que eu fiz", afirmou.

A defesa de Monique questionou se ela havia informado à mãe de Henry que tinha certeza de que a criança sofria maus-tratos. A testemunha respondeu afirmativamente. No entanto, as mensagens exibidas durante o plenário não continham afirmações categóricas nesse sentido.

No sábado (30), o irmão de Monique Medeiros prestou depoimento por cerca de 10h. Ele afirmou que a irmã foi orientada a mentir no primeiro depoimento prestado na delegacia pelo advogado.

Durante a oitiva, o irmão disse que Monique sempre trabalhou e passou a ganhar somente R$ 500 a mais após conseguir uma vaga no Tribunal de Contas do Município, emprego que teria conseguido após pedido de Jairinho.

Conversas de Monique com o pai, em que ela dizia que queria tirar a vida após a morte de Henry, foram mostradas no plenário.

Ainda no sábado, às 23h16, foi ouvido Ari Mamed, ex-colega de trabalho de Monique, que declarou que considera a ré uma pessoa idônea e que era muito amada na escola em que trabalhavam.

Depois, às 23h27, prestou depoimento Marcia Eduarda Andrade Vieira, que era funcionária do condomínio onde Jairinho e Monique moravam e responsável pela brinquedoteca. Ela contou que Henry frequentava o espaço sempre com a mãe e que Monique era atenciosa e brincava junto com o menino.

A babá é a 17ª testemunha ouvida de um total de 25 --duas testemunhas, a mãe e a prima de Monique que seriam inicialmente ouvidas, foram dispensadas. O julgamento caminha para ser o mais extenso do estado. Até então, o júri de Flordelis foi o mais longo, com sete dias até o veredito.