Defesa de Monique fala em manipulação; Jairinho acusa vingança de pai de Henry

Por BRUNA FANTTI

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Zanone Júnior, defensor do ex-vereador do Rio de Janeiro Jairinho, sugere que menino Henry Borel já estava ferido ao ser entregue à mãe.

As defesas de Monique Medeiros, mãe do menino, e do padrasto airo Souza Santos Júnior, o Jairinho, iniciaram as alegações finais na tarde desta quarta-feira (3) no do julgamento da morte da criança.

A advogada Florence Rosa concentrou a defesa de Monique na contestação das provas, nas críticas à atuação da babá Thayná e na afirmação de que a cliente vivia um ciclo de violência doméstica e manipulação por parte de Jairinho.

Já o advogado Zanone Júnior afirmou que o ex-vereador é alvo de um "projeto de vingança" de Leniel Borel, pai de Henry, que teria sido traído pela então esposa, Monique com Jairinho.

Segundo Zanone, Leniel teria omitido um suposto acidente de carro sofrido por Henry no final de semana que antecedeu sua morte, que teria sido relatado por uma mulher que o acompanhava. Zanone mostrou buscas de Leniel por farmácias enquanto estava com a criança.

"Ele entregou uma bomba-relógio para Jairinho e Monique", disse, sugerindo que o menino já estaria com hemorragia interna ao ser entregue na casa da mãe. Os peritos descartaram essa possibilidade, o que ele classificou como "suposição".

Ainda de acordo com Zanone, Monique teria traído o marido com Jairo e, a partir de então, ele teria traçado um "projeto de vingança". Nesse projeto, segundo a defesa do ex-vereador, Leniel teria orientado os depoimentos das ex-namoradas e influenciado laudos no IML (Instituto Médico Legal).

"Imagina se todo homem traído resolvesse fazer um escritório de vingança pessoal?", disse Zanone aos jurados. Para sustentar sua tese, Zanone mostrou conversas de Leniel e do então advogado na época com Gabriela Graça, diretora da perícia do IML na época do crime.

Nos diálogos, ex-namoradas eram encaminhadas para o escritório do advogado de Leniel, com repórteres Leniel teria dito que queria levantar a ficha criminal dos jurados. Já com a diretora do IML, o advogado de Leniel dizia que precisava de laudos que pudessem colocar Jairo na prisão. A profissional responde que irá ajudá-lo a pedido do delegado, e cita: "me diz exatamente o que ele quer, vou ficar feliz em ajudar". Depois da conversa, dois laudos foram confeccionados no mesmo dia.

Jairinho é acusado de homicídio triplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. Segundo a denúncia, Henry morreu na madrugada de 8 de março de 2021 em decorrência de agressões sofridas no apartamento onde morava com a mãe e o então padrasto, na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio.

MONIQUE: DEFESA MOSTRA MENSAGENS DE BABÁ RINDO DE CHORO DE HENRY

As provas levadas pela defesa de Monique mostram que ela foi agredida cinco dias antes da morte de Henry. Além disso, comprovaram por dados do celebrite que ela não fez ligação na madrugada, algo que foi citado pela acusação.

Florence contestou as críticas ao comportamento de Monique após a morte do filho, como o fato de ela ter ido a um salão de beleza.

"Ninguém critica o fato de o pai ter ido ao barbeiro ou ter procurado uma garota de programa três dias após a morte do filho", argumentou. A advogada argumentou que existe uma "régua moral dupla", porque o comportamento de Leniel não foi invalidado da mesma forma.

Ainda de acordo com a advogada, Monique é atacada por não se encaixar em um "padrão de maternidade" idealizado pela sociedade e pela acusação, sendo julgada por seus hábitos, como ir à academia ou pelas roupas que usava.

Florence questionou o fato de Monique ter sido incriminada por omissão, e a babá Thayná não, já que Thayná estava presente durante episódios de violência.

Em um dos episódios, no dia 2 de fevereiro, ela não teria informado da agressão que o menino sofria no quarto com Jairinho. E, ao namorado, escreveu: "pelo menos ele chorando sei que está vivo". A babá também aceitou R$ 100 de Jairinho para consertar uma blusa que Henry rasgou ao não querer sair do colo dela. No depoimento, ela disse que entendeu que seria para silenciá-la.

"Se a Monique sabia da agressão, por que Jairinho iria pagar a babá? Ela não sabia da agressão, por isso Jairinho paga a babá para não contar nada", alegou.

Após o crime, Monique teria sido mantida sob uma "rede de manipulação", sendo instruída pelo advogado de Jairinho a manter uma aparência de "família margarina" para a polícia. Ela só teria começado a buscar uma defesa própria e a relatar a verdade semanas depois.

O julgamento entra na reta final com as alegações dos advogados, que ainda terão direito à tréplica. Após isso, o conselho de sentença deve se reunir.