MP abriu três investigações sobre serviços da ViaMobilidade em trens de SP
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Ministério Público de São Paulo tem três investigações abertas sobre os serviços da Via Mobilidade nos trens metropolitanos. O último inquérito foi aberto após o descarrilamento de trens na linha 9-Esmeralda no dia 26 de abril -além dela, a concessionária opera a 8-Diamante.
Nesta semana, usuários relataram problemas de lentidão na linha 8 -a ViaMobilidade disse que a operação estava normal. Uma mulher caiu nos trilhos na estação Jurubatuba (Linha 9-Esmeralda) na terça (2).
A nova investigação foca na má qualidade do serviço e no histórico de incidentes. Desde que assumiu as linhas 8 e 9, em 2022, a empresa acumula falhas, infrações e dois acidentes com morte com funcionários, sendo o mais recente em maio de 2026. No ano passado, a companhia assinou um acordo que permitiu a quitação, de forma consensual, de R$ 179 milhões em multas. A ViaMobilidade afirma que melhorou os serviços e já investiu mais de R$ 5 bilhões nas linhas. O contrato da concessionária vai até 2052.
ViaMobilidade acumulou novas infrações depois de acordo. Desde 2024, foram abertos ao menos 79 processos de apuração para aplicação de sanções administrativas nas linhas 8 e 9. Destes, 19 foram concluídos ao longo do tempo com Termos de Encerramento. O UOL questionou a Artesp sobre o tema, que informou que "a concessionária já foi penalizada com multas que variam entre R$ 40 mil a R$ 4 milhões".
A concessionária diz que o serviço melhorou desde que assumiu as linhas e que segue à disposição das autoridades. A empresa diz que assumiu essas operações em condições "desafiadoras" e que já investiu R$ 5 bilhões desde o início do contrato.
Governo paulista converteu multas da empresa em investimentos tecnológicos. Em vez de pagar ao Tesouro, a ViaMobilidade usou o valor das sanções entre 2022 e 2024 para abater custos para criar um novo sistema de sinalização, acordo que o MP agora questiona.
Os investimentos da ViaMobilidade caíram ano a ano após pico de R$ 2 bilhões em 2023. O auge do aporte coincidiu com o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado com o governo do estado, que exigia antecipação de investimentos e indenizações. Parte do valor foi usado na construção de seis escolas na região metropolitana.
O orçamento de investimentos da empresa para 2026 é o menor desde o início da concessão. A previsão indica gastos de R$ 566 milhões neste ano.
A empresa opera no vermelho há três anos. Após registrar lucro apenas em 2022, a concessionária acumula prejuízos anuais, chegando a perdas de R$ 67 milhões apenas no primeiro trimestre de 2026. A CPTM também vem operando no vermelho, com um prejuízo de 193 milhões em 2024 e quase 600 milhões no ano passado, mesmo com a concessão de linhas (além das linhas 8 e 9, ela concedeu a 7-Rubi para a TIC).
PERCEPÇÃO NA APROVAÇÃO E ATRASOS
Aprovação ao serviço é de até 62,2 pontos, em uma escala de zero a cem. Segundo pesquisa de satisfação da AtlasIntel contratada pela empresa em outubro de 2025, o índice de satisfação do usuário da linha 8 é de 58,1 pontos. A linha 9 teve pontuação de 62,2. O UOL pediu no dia 28 de maio à ViaMobilidade o índice nas outras linhas do transporte de trilhos concedidos à empresa, a 4 e a 5 do Metrô. Até a publicação desta reportagem, seis dias depois, os dados não foram fornecidos.
Percepção de segurança diminuiu 11,4 pontos no ano passado. Em abril de 2025, o atributo tinha 57,9 pontos. No mesmo ano, em pesquisa feita em outubro, a pontuação era de 46,5.
concessionária tem nota baixa em sites de reclamação. No Reclame Aqui, a avaliação média é 3 de 10, com queixas frequentes sobre superlotação, atrasos e falhas no ar-condicionado dos trens.
A ViaMobilidade também atrasou obras e a devolução de trens emprestados. A empresa reteve veículos da CPTM por mais tempo que o previsto no contrato e só finalizou a devolução em abril de 2025, após pressão e investigação do Ministério Público.
O QUE DIZ A VIAMOBILIDADE
A empresa defende que os indicadores operacionais refletem os investimentos nas duas linhas. "O principal deles, o Coeficiente de Mensuração de Desempenho, cresceu 62% de 2022 até hoje. Esse indicador cresce quanto menor for a incidência de falhas", disse a ViaMobilidade em nota.
Sobre a queda na percepção de segurança, a empresa culpa fatores externos. A concessionária afirma que expandiu o monitoramento por câmeras e que a avaliação dos passageiros sofre influência de elementos fora das estações e dos trens.