Demolições para obra da nova sede do Governo de SP começam neste ano, diz consórcio
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A pouco mais de um mês da assinatura do contrato, o consórcio MEZ-RZK Novo Centro estima iniciar as demolições para a implantação da nova sede do Governo de São Paulo ainda neste ano, em novembro ou dezembro. As intervenções serão parciais, a fim de evitar novos ocupantes em imóveis desapropriados até a obtenção das licenças para o início da obra, no Campos Elíseos.
O prazo para que o contrato seja firmado com a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) é 14 de julho. A partir da assinatura, haverá 45 dias para o cumprimento de exigências e obtenção da ordem de início ? marco inicial de todos os prazos e as obrigações da PPP (Parceria Público-Privada), de 30 anos.
Diretor do consórcio, Felipe Mahana disse à reportagem que o planejamento está em andamento mesmo antes da assinatura, para agilizar a desapropriação, o levantamento de dados e a obtenção de licenças. Enquanto um novo levantamento não é feito, a concessionária trabalha com a estimativa de que cerca de 600 famílias sejam removidas.
A conclusão de todas as obras, estimadas em R$ 6 bilhões, é determinada para 2031. Parte das intervenções deverá estar pronta, contudo, na próxima gestão estadual, como a nova sede do poder Executivo, a expansão do parque Princesa Isabel e o centro de convenções.
As primeiras construções iniciadas serão as do Terminal Luz e do prédio dos Correios. Ambos os espaços receberão atividades hoje realizadas em imóveis que serão demolidos para o novo centro administrativo.
A PPP não é unanimidade, entretanto. O custo da obra, a remoção de moradores, o deslocamento do Terminal Princesa Isabel e o esvaziamento de prédios já ocupados pelo estado no centro velho estão entre os pontos contestados nos últimos anos.
O contrato é de 30 anos, com o aval para o consórcio explorar receitas no local, como de estacionamento, comércios no térreo das novas torres, eventos e venda de "naming rights" do futuro teatro, entre outras. A liberação dos R$ 3,4 bilhões arcados pelo governo será progressiva, com o cumprimento de obrigações.
A PPP abrange 157 endereços. Do total, 129 passarão por desapropriação, enquanto os demais são ou estão em processo de repasse ao estado.
Entre as primeiras obrigações contratuais, estão os seis meses para o cumprimento de 5% das desapropriações. A seguir, entenda as principais intervenções previstas, com os respectivos prazos:
PARQUE PRINCESA ISABEL ? ATÉ 4 ANOS (AGOSTO/2030)
A expansão vai anexar ao parque trecho da rua Guaianases e o terreno do Terminal Princesa Isabel, que será demolido e terá funções transferidas para novo espaço junto à estação Luz. O objetivo é que se torne ponto central do centro administrativo, como uma "praça cívica".
No subterrâneo, deverão ser construídos quatro pavimentos de estacionamento, o maior do projeto e voltado majoritariamente para o público em geral. Além disso, são obrigatórias alterações em parte da avenida Rio Branco, a fim de "acalmar" o trânsito no entorno.
PALÁCIO DOS CAMPOS ELÍSEOS ? ATÉ 4 ANOS (AGOSTO/2030)
A chamada "Quadra 34" é a que sediará as atividades do Poder Executivo, centralizadas no histórico Palácio dos Campos Elíseos ?cujo uso mais recente foi como Museu das Favelas. A edificação tombada ganhará um edifício anexo de dois pavimentos, circundado por um espelho d'água.
Como a quadra é formada principalmente por imóveis tombados e há demarcação de "área envoltória" de 10 metros de altura, a única nova construção será baixa: um anexo, de dois andares. A obra terá a maior parte da área concentrada em dois subsolos: 12.030 m² do total de 15.041 m².
O térreo do anexo deve estar voltado para o cerimonial. Já as atividades administrativas estarão distribuídas entre o pavimento superior e os subterrâneos.
A obra incluirá uma conexão com o estacionamento subterrâneo do parque. Outro túnel estará ligado à quadra do centro de convenções, mas terá dimensões menores, para a circulação apenas de pequenos veículos elétricos, como carrinhos de golfe.
CENTRO DE CONVENÇÕES E TEATRO ? ATÉ 4 ANOS (AGOSTO/2030)
A nova construção terá teatro com 817 lugares e salas multiuso, com divisórias retráteis para separação em até oito auditórios e capacidade para até 960 assentos. Incluirá ainda bar e restaurante, respectivamente para 100 e 200 pessoas.
Como também está em área envoltória de imóveis tombados, metade da expansão será subterrânea. Os subsolos receberão áreas técnicas e estacionamento para o público em geral.
TORRES ? ATÉ 5 ANOS (AGOSTO/2031)
Serão quatro quadras voltadas à construção das torres. Os edifícios receberão atividades de diferentes secretarias e órgãos estaduais, além de apartamentos funcionais para cargos de alta hierarquia.
A quadra em frente ao parque, entre a avenida Rio Branco e a alameda Barão de Piracicaba, será a de maior verticalização: terá dois conjuntos de prédios, formados por torre de 20 andares ligada a outra de 11 andares.
TERMINAL LUZ E CORREIOS ? ATÉ DOIS ANOS (AGOSTO/2028)
O espaço substituto do Terminal Princesa Isabel estará junto à estação Luz, em terreno onde funciona estacionamento da Polícia Civil. Já o edifício que receberá instalações dos Correios desapropriadas para o "novo centro" ficará junto à estação Marechal Deodoro, na Santa Cecília. O consórcio estuda erguer apartamentos sobre as novas construções, como mostrou a Folha.
O QUE MAIS ESTÁ PREVISTO NA CONCESSÃO
Um dos pontos-chave do projeto é a implantação de "fachada ativa" nas novas torres, para que os térreos tenham cafés, restaurantes, espaços culturais e comércios e serviços em geral. Também há a determinação de "fruição pública", para que os pedestres circulem por meio de galerias nos edifícios.
Outro aspecto determinado é que as torres sejam interconectadas por passarelas. Os estacionamentos serão subterrâneos, totalizando 4.331 vagas.
Selecionado em concurso de arquitetura, o projeto do escritório Ópera Quatro prevê que os prédios tenham "pele de vidro" e controle de luminosidade por brises (lâminas móveis, como em persianas). A estimativa é de 22.895 servidores do Estado no novo centro.
Além da obra em si e do reassentamento das famílias, o consórcio será responsável pela manutenção predial e outras demandas, como limpeza, gerenciamento de resíduos sólidos, paisagismo, suporte tecnológico e vigilância. Também deverá desenvolver a identidade visual do novo, a ser explorada de uniformes a produtos.