'Vocês estão protegidos contra 4 sorotipos da dengue', diz Padilha sobre vacinados com Butantan-DV
RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - "A primeira coisa que eu quero dizer para essas mais de 500 mil pessoas que receberam a vacina da dengue, do Butantã, é que vocês estão protegidos contra quatro sorotipos da doença. A vacina é eficaz, não existe qualquer dúvida em relação a isso", afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta quarta-feira (10), em Ribeirão Preto (SP).
O ministro foi ao hemocentro da cidade, nesta manhã, para apresentar os resultados de uma pesquisa que utiliza a terapia com células CAR-T contra linfomas e leucemia, desenvolvida no campus local da USP (Universidade de São Paulo).
Padilha reforçou que a aplicação da Butantan-DV foi "descontinuada de forma temporária" nesta semana após a identificação de 42 episódios de reações adversas mais severas, temporalmente associadas ao momento em que a vacina foi aplicada.
Os episódios incluem três casos graves, com duas mortes. O ministério afirma que ainda não há dados suficientes para vincular os óbitos à vacinação. O imunizante só voltará a ser aplicado após a conclusão das investigações.
O ministro, que é médico infectologista, disse que o imunizante do Butantã é "uma grande esperança". Segundo ele, a vacina já foi aplicada em cerca de 500 mil pessoas, todas profissionais de saúde da atenção primária no país, integrantes da fase inicial de imunização em massa.
Padilha destacou que a situação não atinge o imunizante Qdenga, da farmacêutica Takeda, que continua sendo aplicado em UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e clínicas particulares. No SUS (Sistema Único de Saúde), a vacina é distribuída para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
"Nós temos uma vacina internacional da Takeda, mais de 8 milhões de doses já foram aplicadas no Brasil. A gente prevê aplicar [outras] 9 milhões neste ano e mais 9 milhões no ano que vem, o que está nos ajudando no enfrentamento da dengue", lembrou o ministro.
Padilha afirmou que, nas intercorrências da Butantan-DV, foram relatados sintomas não apresentados em nenhuma fase da pesquisa clínica feita no Brasil e nos Estados Unidos.
"Dezoito estudos prévios não haviam identificado algumas reações que observamos nessas 42 pessoas. Por isso, a decisão do Ministério da Saúde de fazer uma pausa na vacinação dos profissionais de saúde da atenção primária no país, enquanto se faz a investigação desses casos", declarou.
O Instituto Butantan, o Ministério da Saúde e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) investigam em conjunto com parceiros externos se há alguma relação direta da vacina com as reações descritas ou se outras causas provocaram os problemas.
Segundo Padilha, mesmo os "dois casos que chegaram a óbito" não têm ainda estabelecida "uma causalidade definida" relacionada à vacina, e a "Anvisa, inclusive, montou um painel de especialistas, para não serem apenas os servidores da agência a acompanhar isso".
O Ministério da Saúde também chamou um Comitê Técnico Assessor, que inclui sociedades de especialidades médicas e especialistas das universidades para acompanhar a investigação. "A avaliação vai permitir a gente definir qual é a estratégia do uso dessa vacina no nosso país", afirmou o ministro.
Padilha encerrou pedindo às pessoas que tomaram a vacina do Butantã nos últimos 21 dias que fiquem em observação e, no caso de surgimento de reações adversas, procurem a UBS onde receberam a vacina.
"Queria reforçar que, apesar de termos reduzido em 97% o número de óbitos por dengue no país neste ano, e em 92% o número de casos, a dengue é uma doença que só neste ano matou 178 pessoas. Por isso, a importância de termos uma vacina para ser utilizada na população brasileira", afirmou Padilha.
Quem recebeu a vacina nos últimos 21 dias deve ficar atento aos seguintes sintomas:
- Febre
- Dor abdominal intensa e contínua
- Vômitos persistentes
- Tontura
- Sangramentos
- Sonolência intensa
- Irritabilidade
- Sinais de desidratação
- Piora do estado geral