Advogada ré por morte do ex-sogro e mãe dele é condenada por perseguir o ex

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A advogada Amanda Partata Mortaza, ré sob acusação de matar o ex-sogro e a mãe dele envenenados, em 2023, foi condenada pelo Tribunal de Justiça de Goiás por perseguir e extorquir o ex-namorado. Ela ainda será julgada pelo duplo homicídio.

Amanda foi sentenciada a seis anos e dois meses de prisão. Ela foi considerada culpada pelos crimes de perseguição, extorsão e falsidade ideológica contra o ex-companheiro, Leonardo Pereira Alves Filho.

Defesa afirmou que vai recorrer da decisão. Em nota, o advogado Rodrigo Faucz alegou que a sentença proferida pela Justiça goiana "não reflete o conjunto probatório, especialmente o que ocorreu na audiência" porque "as provas válidas do processo apontam para a inexistência dos crimes imputados à Amanda".

Juiz entendeu que Amanda praticou os crimes por motivo torpe, por se sentir abandonada ao não aceitar o fim do namoro. "Considerando que a perseguição foi motivada pelo término do relacionamento, não tendo a acusada aceitado o fim do namoro, e sendo impelida pelos sentimentos de abandono, frustração, raiva e vingança", destacou o juiz Luciano Borges da Silva em sua decisão.

Pelo crime de extorsão, Amanda pegou pena de cinco anos e três meses de reclusão. Segundo consta no processo, ela fazia ameaças e pediu R$ 5 mil ao ex, que não pagou o valor. Mesmo com o pagamento não realizado, o juiz a condenou por entender que a simples tentativa de extorsão por si só já se configura crime.

Pela acusação de perseguição, ela foi sentenciada a sete de meses de prisão. Já pelo crime de falsidade ideológica, ela foi condenada a três meses de detenção. A sentença deverá ser cumprida em regime fechado -ela já está presa desde 2023. De acordo com a sentença, ela fazia ligações ao ex-namorado se passando por outras pessoas para se aproximar do homem e da família dele.

Justiça também determinou que Amanda pague R$ 25 mil em indenização por danos morais ao ex. "Tendo em vista o transtorno e o abalo emocional, psicológico, imposto ao ofendido, perturbando-lhe, ainda, sua rotina, suas relações sociais e profissionais, e impingindo-lhe humilhações, temor e traumas", escreveu o magistrado ao justificar o valor indenizatório.

Advogado sustenta que Amanda sofre de problemas mentais. Essa tese já havia sido suscitada pela defesa durante a fase de audiência de instrução, ocorrida em fevereiro deste ano, mas a Justiça não acolheu essa versão.

Crime ocorreu no dia 17 de dezembro de 2023. Amanda Partata é acusada de ter envenenado Leonardo Pereira Alves, 58, e Luzia Tereza Alves, 86, respectivamente pai e avó do ex-namorado dela. A data para o julgamento desse caso ainda não foi marcada.

Ela também é acusada por tentativas de homicídio contra outras duas pessoas, um tio e o avô do homem. A denúncia do Ministério Público goiano, que já foi aceita pela Justiça, diz que ela ofereceu doces envenenados a outros familiares do ex. As mortes só não se concretizaram porque ambos recusaram o alimento. Ainda de acordo com os investigadores, ela mantinha contato com as vítimas porque fingia estar grávida do ex-companheiro.

Polícia disse acreditar que ela cometeu o crime para afetar o ex-namorado e por não aceitar o fim da relação. Em conversas com ele no WhatsApp, ela perguntou qual era o maior medo dele, e concluiu que era de perder a família.

Amanda pesquisou antes e no dia do crime se seria possível descobrir o envenenamento. Ela também procurou na internet se a substância tinha gosto.

Ela também comprou veneno pela internet usando o próprio nome e endereço. A advogada pediu a entrega em Itumbiara, a cerca de 200 km da capital goiana. Como não estava na cidade, ela pediu a um motorista de aplicativo que levasse a caixa até ela, em Goiânia.

Vídeos obtidos pela investigação mostram mulher recebendo e abrindo o pacote. A nota fiscal mostra que a substância adquirida é a mesma encontrada no corpo das vítimas.