'Foi uma tentativa de homicídio', diz eleitor do PT agredido em Copacabana
RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - O eleitor do PT Mauro Figueiredo Rocha Dias da Costa, 69, agredido em frente ao prédio onde vive, em Copacabana, zona sul do Rio, na noite de quinta-feira (11), afirmou em vídeo enviado à reportagem, neste domingo (14), que os agressores tinham a intenção de matá-lo.
A Polícia Civil investiga o caso como lesão corporal. O idoso diz que a motivação do crime foi política, por estar com uma mochila que tinha um adesivo da deputada federal Benedita da Silva (PT) e pelos agressores gritarem palavras de ordem bolsonaristas.
"Foi uma agressão cruel. Foi de uma brutalidade sem tamanho. Foi uma tentativa de homicídio. Eles iam me matar. Só pararam porque chegou um homem forte e falou: 'para, para, vocês vão matar o velho'. E, depois, saíram rindo", relatou Mauro.
O QUE ACONTECEU
Mauro da Costa foi agredido com um "mata leão" e socos no rosto. Segundo a vítima, ao chegar em frente ao prédio onde mora, foi encurralado por um homem vestido de terno e duas mulheres. Todos com aparência de lutadores e por volta dos 30 anos. O idoso afirmou que uma das mulheres o imobilizou pelo pescoço, enquanto o homem o golpeava com socos. As agressões, segundo ele, duraram aproximadamente cinco minutos.
"Premeditaram tudo isso. Eu sofri uma emboscada, eles estavam de tocaia, esperando eu chegar em casa. Sabiam onde eu morava. E começaram a me agredir gritando 'é, Bolsonaro!, é, Bolsonaro!' e 'vai morrer, seu petista safado'", contou Mauro.
O idoso afirmou que os agressores tinham discurso de ódio e fizeram ameaças contra sua vida. A vítima falou que o trio dizia frases como "a gente vai te matar agora", "você já prejudicou muita gente", "seu petista de merda", "é, Bolsonaro!, é, Bolsonaro!" e "sua igreja é uma igreja de merda". Costa teve um terço arrancado do pescoço enquanto era ameaçado, antes das agressões físicas.
"Eu fiquei sem ar e continuei apanhando, com chutes e socos. Fui jogado contra o portão. Estou com muita dor nas costas. As marcas estão no meu rosto. Minha boca está toda machucada, até vou ao dentista. Eles iam me matar", diss Mauro.
Porteiro viu as agressões e foi omisso, segundo Costa. O idoso relatou que o porteiro do prédio onde mora, mesmo vendo as agressões, ficou parado em frente ao portão de entrada sem abrir o acesso ao edifício apesar dos pedidos de socorro. O local possui câmeras de segurança. As imagens foram pedidas pelos policiais civis que investigam o caso. O idoso não teve acesso às imagens.
"O porteiro, parado, não atendeu ao meu pedido de socorro, para que ele abrisse o portão. Não teve nenhuma empatia. Não gritou nem pelo menos 'para, para', nada disso. Ficou assistindo a essa tentativa de homicídio que eu estava sofrendo", afirmou Mauro.
Idoso teve dois pedidos de atendimento negados e só foi atendido depois de ir à Corregedoria da Polícia Civil. Na primeira ida ao IML (Instituto Médico-Legal), depois de ir à delegacia, afirmou que recebeu como resposta "não vou te atender". No dia seguinte, voltou ao local com a requisição feita pela Polícia Civil. O atendimento foi negado novamente, porque não foi aceita cópia da identidade autenticada em cartório. Então, foi até a Corregedoria.
"Na Corregedoria, o policial ficou horrorizado. Falou 'não é possível, você podia ter perdido a identidade ou subtraída durante a agressão'. Aí ele fez o encaminhamento da Corregedoria. Pela terceira vez eu voltei ao IML e, finalmente, fui atendido por uma médica, que verificou tudo e que encaminhou para a delegacia", disse ainda Mauro.
Por meio de nota, a Polícia Civil informou que as investigações estão em andamento. O caso foi registrado na 14ª DP (Delegacia de Polícia), no Leblon, mas foi transferido para a 12ª DP, em Copacabana. A polícia afirmou que a vítima foi encaminhada ao IML para exame de corpo de delito. A PM (Polícia Militar) informou que, segundo o 19º batalhão, de Copacabana, a corporação não foi acionada.