Ponte onde jovem morreu em SP tem histórico de morte e acidentes graves

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A Ponte do Esqueleto, onde uma jovem de 21 anos morreu após saltar sem a corda, em Limeira (SP), tem um histórico de acidentes graves, inclusive com a morte de uma ciclista em 2024.

Kelly Stefani de Oliveira Alves morreu aos 38 anos, após cair da Ponte do Esqueleto em abril de 2024. Na ocasião, a ciclista perdeu o equilíbrio ao fazer a travessia pela ponte e despencou de uma altura de aproximadamente 15 metros.

Vítima caiu junto com sua bicicleta. Segundo o Corpo de Bombeiros, Kelly se desequilibrou após encostar um dos pés na mureta da ponte. Ela estava acompanhada pelo marido e outros ciclistas.

Kelly deixou o marido e um filho. Na época, a criança tinha 7 anos.

Em agosto de 2025, duas mulheres ficaram gravemente feridas ao caírem da ponte. As vítimas, de 22 e 24 anos, praticavam justamente a atividade esportiva de salto com corda.

Corda teria se estendido além do limite de segurança. Com isso, as duas mulheres atingiram o solo com forte impacto e ficaram feridas. À época dos fatos, não foi especificado pelos órgãos de segurança se as vítimas saltaram juntas e se alguma outra pessoa estava com elas.

Uma das jovens foi socorrida com lesões gravíssimas, enquanto a outra sofreu múltiplas fraturas. Na ocasião, as duas foram hospitalizadas na Santa Casa de Limeira e, apesar da gravidade dos ferimentos, sobreviveram.

Em ambos os acidentes, a prefeitura de Limeira se isentou de responsabilidades. A gestão municipal alega que a Ponte do Esqueleto é de domínio da União, portanto não tem autonomia sobre a área. O UOL procurou o governo federal para pedir posicionamento sobre os acidentes na ponte e aguarda resposta.

A ponte fica na divisa entre Limeira e Cordeirópolis. A estrutura está localizada na Estrada Doutor Cássio de Freitas Levy, a cerca de 7 km do centro de Limeira, em uma área rural cercada por mata e trilhas utilizadas por ciclistas, corredores e praticantes de esportes radicais.

A construção está abandonada há mais de três décadas. A obra viária nunca foi concluída e deixou de ser utilizada há cerca de 30 anos, permanecendo sem função no sistema de transporte da região.

A estrutura se tornou um ponto turístico informal. Apesar da desativação, o local passou a receber visitantes atraídos pela vista e pelo cenário. A ponte também ganhou popularidade entre grupos de ciclismo, trilhas, rapel e salto de rope jump.

A altura da ponte favoreceu a prática de esportes de aventura. Empresas do setor promovem há anos atividades de rope jump no local. Anúncios de eventos descrevem a estrutura como tendo cerca de 30 metros de queda livre.

Segurança da área é alvo de debates há anos. Logo após a morte da ciclista em 2024, a Superintendência do Patrimônio da União do Estado de São Paulo solicitou à Prefeitura de Limeira que realizasse o bloqueio do acesso à estrutura e que providenciasse sinalização de perigo no local.

À época, o acesso à ponte chegou a ser fechado, mas foi reaberto. Em maio daquele ano, empresários foram à Câmara Municipal de Limeira pedir apoio dos vereadores para que empresas que atuam com esportes de aventura continuassem operando no local.

Município de Limeira atribui responsabilidade ao governo federal. Em nota, a administração municipal afirmou que a fiscalização, a manutenção e o controle de acesso à Ponte do Esqueleto são atribuições exclusivas da União. Por isso, informou que irá adotar medidas judiciais por suposta omissão dos órgãos federais responsáveis pela área.

Prefeitura diz que cobrava providências desde o ano passado. Segundo o comunicado, ofícios foram enviados ao governo federal solicitando intervenções de segurança no local. A gestão municipal afirmou que vinha adotando medidas administrativas e cobrando ações dos órgãos competentes desde o início de 2025.

Prefeito afirma que riscos eram conhecidos. Murilo Félix (Podemos) declarou que os problemas de segurança na área são antigos e que os riscos da estrutura já eram conhecidos pelas autoridades.