Defesa de Luigi Mangione vai alegar 'transtorno psiquiátrico' em julgamento

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A defesa de Luigi Mangione vai alegar que ele agiu sob "perturbação emocional extrema" no julgamento por homicídio em Nova York.

Revelação foi feita nesta quarta-feira (17), em uma nova audiência do jovem de 28 anos. Os seus advogados informaram que pretendem usar uma defesa psiquiátrica no julgamento estadual previsto para o outono. A estratégia reconhece o ato, mas busca reduzir a responsabilidade criminal ao sustentar que o réu estava sob perturbação emocional extrema no momento do crime.

O juiz Gregory Carro disse que pretende retirar o sigilo de registros ligados a essa linha de defesa. O magistrado afirmou que o material havia sido mantido sob sigilo a pedido da defesa para evitar prejuízo ao réu caso a estratégia não fosse adiante.

Carro determinou que a defesa entregue até amanhã informações sobre a tese, incluindo o nome do especialista psiquiátrico. "Os promotores precisam saber qual é o mal que este réu sofre e como isso desencadeou uma perturbação emocional extrema no momento e no local do ocorrido. Nada vai ser uma surpresa. Eu não vou deixar vocês surpreenderem o Estado na véspera do julgamento. Então, façam isso", disse o juiz.

Promotores acusaram a defesa de dificultar o acesso a dados sobre a estratégia. O juiz afirmou que novos atrasos podem impedir Mangione de usar essa tese no julgamento.

Mangione se declarou inocente das acusações de homicídio e porte de arma relacionadas ao caso. Ele é acusado de matar a tiros, em dezembro de 2024, Brian Thompson, de 50 anos, então diretor-executivo da UnitedHealthcare. Se condenado, Mangione poderá ser enviado para uma instituição psiquiátrica em vez de para a prisão, caso seus advogados de defesa consigam argumentar que ele não estava em pleno uso de suas faculdades mentais no momento do assassinato de Thompson.

O réu também se declarou inocente de acusações federais de perseguição (stalking). A próxima audiência judicial está marcada para agosto e será virtual.

O crime foi cometido em 4 de dezembro de 2024. Luigi Mangione foi preso cinco dias depois, na Pensilvânia.

CEO estava em frente ao hotel Hilton de Midtown, onde uma conferência de investidores era realizada. Ele faria uma apresentação no evento, mas foi atingido pouco antes das 7h (9h, no horário de Brasília).

Policiais tentaram reanimar Thompson e o levaram a um hospital, onde a morte foi confirmada. "Estamos profundamente tristes e chocados com o falecimento de nosso querido amigo e colega Brian Thompson, diretor-executivo da UnitedHealthcare", disse a empresa em comunicado.

Polícia acredita que o crime tivesse sido motivado por uma "fúria" de Luigi com a indústria de planos de saúde americana. Um manifesto que teria sido escrito por ele chamava os responsáveis pelos planos de "parasitas" e as balas usadas no crime tinham os termos "negar" e "atrasar", em referência a táticas usadas pelas companhias para evitar pagar valores aos assegurados.

Mesmo preso, Mangione conquistou seguidores como uma forma de protesto contra o sistema de planos de saúde nos EUA. Apoiadores, principalmente mulheres, têm marcado presença em sessões do judiciário sobre o caso. Alguns dos apoiadores trajam camisas com os dizeres "Libertem Luigi" ou levam placas em protesto.

UnitedHealth Group faturou 100 bilhões de dólares no terceiro trimestre de 2024. A UnitedHealthcare, administrada pela vítima, é um braço da companhia que administra produtos de saúde, como Medicare e Medicaid, para pessoas idosas e de baixa renda, financiados pelos orçamentos estatais.