Julgamento do caso Gritzbach tem segurança reforçada e alteração de rotina no Fórum de Guarulhos
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O júri popular de três policiais militares pelo assassinato do delator Antonio Vinícius Lopes Gritzbach, morto em novembro de 2024 com tiros de fuzil no Aeroporto Internacional de São Paulo, começou nesta segunda-feira (22) com segurança reforçada e alteração da rotina no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo, onde ocorre julgamento.
Nesta manhã, as ruas no entorno do fórum foram bloqueadas para a passagem de veículos. Dezenas de viaturas da Polícia Militar ?inclusive batalhões especializados, da Força Tática e do 15º Batalhão de Ações Especiais de Polícia?, da Guarda Civil Metropolitana de Guarulhos e da coordenação de trânsito foram posicionadas nas entradas do edificio.
O fórum adotou um esquema rígido de segurança para a realização do júri popular. Apenas a entrada de pessoas diretamente ligadas ao caso e de imprensa previamente cadastrados é permitida. Todos passam por detectores de metais e revista das bagagens para entrar no prédio.
Audiências de outros processos fórum suspensas até a conclusão do júri, que está previsto terminar na sexta-feira (26). Apenas pessoas diretamente ligadas ao caso terão acesso autorizado no local.
COMO SERÁ O JÚRI
O julgamento começou com a escolha dos jurados. Foram sorteados quatro homens e três mulheres para compor o Conselho de Sentença.
Em seguida, começaram as oitivas das 21 testemunhas. O primeiro a ser ouvido foi Willian Souza Santos, que ficou ferido no ataque. Os promotores Vania Caceres Stefanoni e Rodrigo Merli Antunes arrolaram nove pessoas, incluindo policiais que atuaram na investigação do caso.
Já entre as testemunhas de acusação estão familiares dos acusados e os policiais civis Fabio Baena Martin e Eduardo Monteiro.
Os dois policiais trabalhavam no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) na época da prisão de Gritzbach pela suspeita de participação na morte de um traficante do PCC em 2021 ?esse crime é considerado, pela acusação, a motivação para o assassinato de Gritzbach. Baena e Monteiro foram presos por suspeita de extorquirem Gritzbach ?os dois foram delatados por ele.
O julgamento será presidido pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo.
O ataque no aeroporto de Guarulhos tinha como alvo Antonio Vinícius Gritzbach. Meses antes, ele havia feito uma delação premiada em que dava detalhes de um esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) e de extorsões que havia sofrido de policiais civis.
Pouco depois das 16h de 8 de novembro de 2024, uma sexta-feira, dois homens desembarcaram de um Volkswagen Gol preto e dispararam mais de 30 tiros na área de desembarque do aeroporto mais movimentado do país. Os tiros também atingiram o motorista Celso Araújo Sampaio de Novais, que morreu, e deixaram duas pessoas feridas.
O cabo Dênis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues são acusados de serem os dois atiradores, enquanto o tenente Fernando Genauro da Silva foi apontado como o motorista do carro usado no ataque. Eles respondem por dois homicídios qualificados e duas tentativas de homicídio.
Os três PMs foram identificados por meio das informações de aplicativos com geolocalização, torres de celular, material genético encontrado no carro da fuga e imagens de câmeras de segurança.
Eles estão presos e negam participação no crime. Suas defesas afirmam que vão provar sua inocência com base em provas documentais e relatos de testemunhas.
Três réus acusados no mesmo processo estão foragidos. Dois deles são apontados como mandantes do assassinato: Emílio Carlos Gongorra Castilho, o Cigarreira, e Diego dos Santos Amaral, o Didi.
Kauê do Amaral Coelho, que foi filmado no saguão do aeroporto apontando a posição do alvo para os atiradores, também nunca foi localizado. A Polícia Civil paulista recebeu informações de que Cigarreira e Didi já deixaram o país.