Bezerro com duas cabeças nasce no interior do Maranhão

Por MARINA SEMENSATO

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um bezerro com duas cabeças nasceu em uma fazenda em Apicum-Açu, no interior do Maranhão, na última segunda-feira (15); o animal não sobreviveu.

Caso ocorreu na fazenda Recanto dos Monteiros. Em relato ao UOL, Willamy Costa Santos, que ajudou no procedimento, contou que o pai, Wilson Ferreira Santos, responsável por cuidar do gado da propriedade, percebeu que o animal estava em contração por volta das 7h e chamou um veterinário.

Parto foi difícil e exigiu reforço. Os homens e o veterinário tentaram puxar o bezerro, mas ele não saía. Um segundo profissional foi chamado e também teve dificuldade. Diante do risco, os profissionais alertaram que o filhote provavelmente nasceria morto.

Nove homens ajudaram a completar o parto, que só terminou por volta das 10h. Com a orientação dos veterinários, o grupo concentrou esforços para salvar ao menos a vida da mãe.

Só depois do nascimento perceberam a anomalia. O bezerro tinha duas cabeças, duas bocas, quatro olhos e três orelhas, mas um único corpo.

Era a sétima cria da vaca, que passa bem. Mãe foi tratada no próprio curral, com soro e antibióticos.

Caso surpreendeu moradores da região. Willamy afirmou que nada parecido havia acontecido na propriedade. "Muitos não acreditavam, foram lá ver", disse.

Uma bezerra com a mesma má-formação nasceu poucos dias antes em São José da Lagoa Tapada, na Paraíba. Caso foi registrado no dia 11 de junho, nas redes sociais do casal João Filho e Francielle Coelho da Silva.

Diferentemente do caso do Maranhão, bezerra nasceu viva e tinha atividade cerebral. Em vídeos registrados pelo casal, animal aparece piscando e colocando as duas línguas para fora.

Bezerra chegou a ser amamentada, mas não resistiu. João relatou que cuidou do animal ao lado da esposa e do vaqueiro da propriedade, mas morreu depois de quatro dias.

Má-formação geralmente não é genética nem hereditária, segundo especialista. O professor titular sênior Enrico L. Ortolani, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, explicou ao UOL que a maioria dos casos é de condição adquirida e congênita, relacionada a fatores como tratamentos feitos durante a gestação, protozoários, bactérias e até radioatividade.

Alterações surgem nos primeiros 40 dias de gestação. Nessa fase, as células estão se dividindo e algumas passam por um processo semelhante a uma dobradura. Quando há falha nesse processo, a má-formação se desenvolve.

Apesar das semelhanças, casos são diferentes. Ortolani explicou que, no Maranhão, o bezerro nasceu morto, o que caracteriza um abortamento. Na Paraíba, o parto foi bem-sucedido, mas de um feto que teve má-formação. É possível perceber a diferença porque o animal do Maranhão era mais esbranquiçado e sem pelo, enquanto o da Paraíba era maior e com pelagem formada.

Índice de sobrevivência é muito baixo. "Como há alterações no desenvolvimento, animais com esse tipo de má-formação costumam morrer em poucos dias", explicou o professor.

Mães têm chances de sobreviver ao parto. Segundo Ortolani, naturalmente, esses fetos são menores; a principal dificuldade é a passagem da cabeça duplicada.

Não há prevenção específica. O professor recomenda evitar certos tipos de tratamento durante determinado período da gestação, mas fatores como doenças, protozoários e radioatividade fogem ao controle.

Não existe levantamento unificado no Brasil sobre essas ocorrências. Segundo artigo de 2025 publicado na Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação (REASE), as malformações congênitas em bezerros apresentam taxa de prevalência entre 0,2% e 3% nos rebanhos do país.