Falta de diagnóstico sobre novos Colégios Tiradentes gera cobranças na Assembleia de Minas
Secretaria de Educação e Polícia Militar afirmaram que estudos estão em andamento, mas não apresentaram dados que embasaram a expansão; deputados e representantes de escolas pedem transparência e diálogo antes das mudanças.
A implantação de novas unidades do Colégio Tiradentes em Minas Gerais foi alvo de questionamentos durante audiência da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada nesta segunda-feira (22). O principal ponto de cobrança foi a ausência do diagnóstico técnico que teria orientado o planejamento da expansão da rede.
Representantes da Secretaria de Estado de Educação (SEE/MG) e do Comando-Geral da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), convidados para prestar esclarecimentos, informaram que os estudos ainda estão em andamento e não apresentaram os dados solicitados pelos parlamentares.
Durante a reunião, a superintendente de Organização Escolar e Informações Educacionais da Secretaria de Estado de Educação, Simone Aparecida Emerick, explicou que a ampliação dos colégios é uma demanda do governo estadual e que a pasta realiza uma avaliação técnica das unidades, considerando critérios como disponibilidade de vagas.
Segundo ela, 19 escolas já foram analisadas, mas o processo ainda não foi concluído. A representante informou ainda que a transição, caso ocorra, está prevista para acontecer entre 2027 e 2028 e que não há um cronograma definitivo para a implantação das novas unidades.
Simone também destacou que as escolas anunciadas pelo governo estadual ainda não têm confirmação de que serão efetivamente transformadas em Colégios Tiradentes.
Polícia Militar afirma que expansão busca ampliar atendimento
O diretor de Educação da PMMG, coronel Carlos Eduardo Melo, apresentou um histórico da criação dos Colégios Tiradentes e explicou que a expansão faz parte de um projeto do governo estadual.
De acordo com o coronel, a rede atualmente conta com 60 unidades distribuídas em 19 regiões de Minas Gerais. As escolas foram criadas inicialmente para atender dependentes de militares, mas também possuem vagas destinadas a outros públicos, incluindo servidores civis e estudantes da comunidade, por meio de processo seletivo.
Segundo ele, a proposta de expansão busca levar unidades para cidades onde há atuação da Polícia Militar, mas que ainda não contam com Colégio Tiradentes, evitando deslocamentos de famílias de militares.
Sobre o diagnóstico solicitado pela comissão, o coronel afirmou que o material pode ser requisitado ao Comando-Geral da PM e que não acredita haver impedimento para sua apresentação.
Questionamentos sobre impacto nas escolas estaduais
Durante a audiência, representantes de escolas que podem ser afetadas pela mudança manifestaram preocupação com a falta de informações e de diálogo com as comunidades escolares.
O professor e vice-diretor da Escola Estadual Sebastião Silva Coutinho, de Leopoldina, Matheus Paiva, questionou a ausência de estudos técnicos que justifiquem a substituição das atuais escolas estaduais por unidades militares.
“Qual o motivo para o fechamento de nossas escolas como funcionam hoje? Onde estão as avaliações técnicas que mostram essa necessidade?”, questionou.
Para ele, mudanças dessa dimensão precisam envolver professores, alunos, famílias e moradores, já que as escolas representam espaços de referência nas comunidades.
A professora de artes da Escola Estadual João Paulo I, em Betim, Agnes Courbassier, também demonstrou preocupação com a continuidade de projetos pedagógicos e o atendimento a estudantes com deficiência após uma possível mudança de modelo.
Deputados defendem esclarecimentos antes da implementação
O deputado Coronel Henrique (PL), autor do projeto que originou a legislação sobre a ampliação dos Colégios Tiradentes, defendeu a continuidade do debate e afirmou que a regulamentação do processo poderá esclarecer as dúvidas apresentadas.
Segundo ele, a expansão tem como objetivo ampliar vagas para filhos de militares e permitir o atendimento de estudantes civis conforme a disponibilidade.
O parlamentar defendeu que a implementação ocorra com equilíbrio e buscando reduzir impactos para as comunidades escolares.
Ao final da audiência, Beatriz Cerqueira anunciou que a comissão deverá visitar as unidades envolvidas no projeto e realizar uma nova audiência no início de agosto. A expectativa é que, na próxima reunião, sejam apresentados os diagnósticos e estudos técnicos solicitados durante o debate.