Polícia vê conexão entre caso que prendeu vereador em SP e operação contra Deolane Bezerra

Por ANDRÉ FLEURY MORAES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil identificou elos entre o caso que culminou na prisão do vereador Senival Moura (PT) na manhã desta quarta-feira (25) e a operação de maio que deteve a advogada e influenciadora Deolane Bezerra.

Ela é suspeita de lavar dinheiro para a família do líder do PCC (Primeiro Comando da Capital) Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.

A ligação se dá por meio de Everton de Souza, um dos presos na operação contra Deolane.

Ele foi apontado no caso da influenciadora como operador financeiro do núcleo familiar de Marcola.

No caso de Senival, a investigação apontou conexões entre Everton e o presidente da Transunião, Lourival de França Monário, pivô do suposto esquema que prendeu o petista nesta quarta.

O suspeito de operar recursos para a família Camacho chegou a transferir para Monário um veículo Volkswagen Tiguan que estava em nome de sua mulher, diz a polícia.

O presidente da empresa, segundo as investigações, mantinha em casa "automóveis de elevado valor agregado como Porsche, Jaguar e Land Rover", ao mesmo tempo em que declarava a autoridades morar num endereço de periferia. Para a Polícia Civil, isso evidencia uma "incongruência patrimonial relevante" e indícios de "dissociação entre a titularidade formal e domínio econômico de bens".

Nem Everton nem Deolane foram alvos da operação desta quarta. Mas a Polícia Civil diz que o surgimento do nome dele configura "relevante fator externo de corroboração" que reforça "os indícios de que a estrutura da Transunião possa estar sendo instrumentalizada para circulação, ocultação e integração de ativos ilícitos".

As diligências contra o vereador Senival nesta quarta-feira resultaram também na prisão de Jair Ramos de Freitas, o Cachorrão, apontado pelos investigadores que seria um diretor informal da empresa de ônibus, e Devanil de Souza Nascimento, o Sapo, homem de confiança do vereador.

Os dois são réus pelo assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, em 2020.

Procurada, a assessoria do vereador disse que está preparando uma nota que deve ser divulgada em breve. Não foi divulgado o contato do advogado do parlamentar.

Procurada por meio de mensagem e telefonemas, a liderança do PT na Câmara não se manifestou até o momento.

A reportagem ligou na manhã desta quarta-feira a um advogado que defende Molinário em outras ações, mas ninguém atendeu. As mensagens encaminhadas por WhatsApp, por sua vez, também não foram respondidas.

A reportagem também busca a defesa dos outros dois presos e tenta contato por telefone com a Transunião, mas ninguém atende aos telefonemas.

Deolane foi presa em maio sob a suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC. Segundo as investigações, ela mantém vínculos próximos à família Marcola e tem ligações diretas com uma transportadora registrada em Presidente Venceslau e destinada a dissimular a origem dos recursos a parentes do líder do PCC.

Sua defesa diz que a influenciadora é inocente e que seus rendimentos possuem origem lícita e foram regularmente declarados aos órgãos competentes.