Policial civil de SP é encontrado em antigo endereço de investigado por elo com PCC

Por TULIO KRUSE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um policial civil foi encontrado em uma antiga casa do presidente da empresa de ônibus Transunião, Lourival de França Monario, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão da Operação Última Parada nesta quinta-feira (25) em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo.

A investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo aponta que a Transunião foi usada para lavagem de dinheiro da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Lourival é alvo de mandado de prisão temporária e há suspeita de que ele tenha fugido do país.

Agentes procuravam por Lourival quando encontraram o policial civil, que não foi identificado publicamente, numa casa em um condomínio. Ele informou que morava no local e que havia comprado a casa de Lourival.

Na casa, durante as buscas, policiais encontraram pacotes de canetas emagrecedoras e de esteroides anabolizantes, que, ao todo, somavam mais de cem embalagens. Os produtos foram apreendidos e o policial foi levado para prestar esclarecimentos à Corregedoria da Polícia Civil.

"O policial não era objeto da busca e apreensão. Foi no momento da busca que ele foi surpreendido", disse o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian. "Já não era mais o endereço do alvo. Essa casa havia sido repassada para ele."

Há suspeita de que os produtos tenham sido contrabandeados. O nome do policial civil não foi divulgado.

Lourival é suspeito de participar do esquema de lavagem de dinheiro através da Transunião. Relatórios da Polícia Civil apontam a passagem de valores sem origem declarada em suas contas bancárias.

A investigação aponta que ele teve créditos de R$ 4,4 milhões em suas contas de janeiro de 2019 e maio de 2022. Ao mesmo tempo, teria declarado rendimentos brutos de apenas R$ 940 mil à Receita Federal no mesmo período.

A polícia também aponta que a empresa ocultou que ele era o real proprietário de ônibus que, no papel, estavam registrados em nome de outras pessoas ?uma forma de ocultação de patrimônio.

A defesa de Lourival Monário informou que ainda não teve acesso ao processo e não conhece os argumentos que levaram ao mandado de prisão temporária contra ele. Informou, no entanto, que deve pedir a revogação da prisão ou entrar com um habeas corpus em favor de Monário assim que conhecer as acusações.

Segundo um documento da Polícia Civil, apresentada à Justiça em meio à investigação da Operação Última Parada, tanto Lourival quanto outros dois funcionários da empresa de ônibus ?o diretor Jair Ramos de Freitas, conhecido como Cachorrão, e o supervisor operacional Leonel Moreira Martins? moravam no mesmo condomínio em Mogi das Cruzes.

Cachorrão é réu pelo assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, em 2020. Ele foi preso nesta quinta.

Tanto Monário quanto Cachorrão foram investigados por suspeitas de participar de um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas, no inquérito da Polícia Federal que resultou na Operação Mafiusi.

Aquela investigação apontou um elo entre o PCC e a máfia italiana 'Ndranghetta para o fornecimento de cocaína ao mercado ilegal europeu.