Onda de calor leva Paris a adiar parada LGBT; Alemanha e Holanda cancelam eventos ao ar livre

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com a onda de calor, autoridades europeias decidiram adiar ou cancelar eventos. Em Paris, por exemplo, as altas temperaturas resultaram no adiamento da Parada do Orgulho LGBTQ+, inicialmente prevista para este sábado (27).

Autoridades de saúde em toda a Europa estão em alerta máximo na sexta-feira (26). Da Grã-Bretanha e França à Alemanha, Itália, Áustria e Sérvia, o continente ferve sob uma massa de calor recorde que se espalha pela região.

Cientistas afirmam que a atual onda de calor é a pior já registrada na Europa. As temperaturas provavelmente já passaram do pico na França e na Grã-Bretanha, onde recordes para o mês de junho foram quebrados. Mas na Itália, o calor deve se intensificar ao longo do fim de semana, atingindo 40°C.

Tanto na França quanto no Reino Unido profissionais afirmam que os hospitais estão sobrecarregados e que houve um aumento nas chamadas de emergência.

Desde a semana passada, já reportaram mortes associadas ao calor Alemanha, Itália, Espanha e França. Neste último, houve 55 óbitos por afogamento, a maioria de jovens.

Um ar mais fresco passou pelas regiões ocidentais, mas na Europa central e oriental as ondas de calor ainda não atingiram o pico, com a República Tcheca e a Hungria em alerta vermelho para o fim de semana e temperaturas de até 40°C previstas.

Cientistas demonstraram que as ondas de calor recorrentes são um indicador claro do aquecimento global causado pela queima de combustíveis fósseis pelos seres humanos. Além disso, essas ondas devem se tornar mais frequentes, mais longas e mais intensas.

Nesta sexta-feira, pelo menos 150 milhões de pessoas na Europa devem enfrentar temperaturas acima de 35°C, de acordo com cálculos da AFP baseados em previsões meteorológicas.

As temperaturas máximas devem ultrapassar 30°C para mais de 420 milhões de pessoas em toda a Europa, excluindo a Turquia ?cerca de 70% da população.

O Serviço de Ambulâncias de Londres afirmou que o calor extremo de quarta-feira (24) resultou no maior número de chamadas de emergência com risco de vida em um único dia.

A França registrou um aumento de quatro vezes nas visitas a prontos-socorros por motivos relacionados ao calor e uma alta nas paradas cardíacas, segundo o Ministério da Saúde.

"Estamos chegando a um ponto de saturação nas instalações hospitalares", disse o chefe de polícia de Paris, Patrice Faure, ao anunciar a proibição de venda de bebidas alcoólicas à noite em Paris durante o fim de semana.

O consumo de álcool em vias públicas está proibido a partir do meio-dia desta sexta na cidade.

Paris também adiou sua Parada do Orgulho LGBTQIA+, antes programada para a tarde deste sábado (27). "A Parada está adiada. Pensamos em organizá-la em setembro, mas toda a equipe precisa se reunir para ver como faremos", afirmou Anouk Veyret, copresidente da Inter-LGBT.

Os organizadores do festival de música Solidays anunciaram a voluntários o cancelamento do evento, indicaram à AFP várias fontes. A expectativa era que durante três dias o evento reunisse cerca de 200 mil pessoas em Paris.

Na Itália, perto do estuário do rio Pó, pescadores de mariscos trabalhavam para limpar suas redes das algas que proliferam por causa do calor.

"Além de todos os nossos problemas, agora tem esse calor absurdo, tão prolongado, tão inesperado", disse Paolo Mancin, presidente de uma cooperativa de pescadores, de pé na água a 31°C.

"As algas se formam e os mariscos estão morrendo em grande quantidade."

As autoridades da região alertaram que o baixo nível do rio Pó ameaçava causar uma seca. Em toda a Itália, 18 cidades estão em alerta vermelho.

A franja ocidental da Europa teve algum alívio, com uma tempestade que caiu durante a noite na região francesa da Bretanha, resultando em ar mais fresco nesta sexta-feira.

"Voltei a viver. Finalmente podemos respirar", disse a moradora Aurelie Sauvager, 47. "Sentíamos falta de poder sair, foi difícil. Estava muito quente e nos sentíamos cansados, mas agora está melhorando."

Na Holanda, um raro alerta de código vermelho para calor extremo foi emitido para quase todo o território. Muitas escolas foram fechadas, já que temperaturas de até 40°C eram esperadas. Foram cancelados festivais e eventos ao ar livre.

Esta última medida também foi adotada na Alemanha. Na noite desta quinta, o calor extremo fez com que a superfície da rodovia A2, no leste do país, rachasse em várias faixas, segundo o jornal BZ. Trinta veículos foram danificados, deixando duas pessoas com ferimentos leves. A estrada foi fechada.

O Met Office, serviço meteorológico britânico, estendeu o alerta vermelho de calor até esta sexta-feira para uma grande área do sul da Inglaterra, a primeira vez que tais avisos foram emitidos por três dias consecutivos.

Ventiladores esgotaram nas prateleiras no Reino Unido, e fabricantes asiáticos de ar-condicionado relataram um boom de vendas na Europa.

De acordo com os dados mais recentes da Agência Internacional de Energia (AIE), divulgados em 2025, a posse de ar-condicionado nas residências europeias permanece relativamente baixa, em torno de 20%.

O primeiro-ministro da Hungria, Peter Magyar, afirmou que as autoridades estavam preparando milhões de sacolas de água potável para possível distribuição pública e pedindo aos moradores que economizem água.

Na Sérvia, as autoridades emitiram um alerta laranja, com a previsão de 36°C. Autoridades em Belgrado pediram à população para se hidratar e permanecer em ambientes fechados durante as horas mais quentes.