Condenado por atropelar e matar 19 foliões no Carnaval de 1984 em Natal é preso após 42 anos foragido
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um homem condenado por atropelar e matar 19 pessoas durante o Carnaval de 1984 em Natal (RN) foi preso nesta sexta-feira (26) em Cuiabá, após 42 anos foragido. Aluísio Farias Batista, 68, vivia com identidade falsa e havia constituído uma nova família na capital mato-grossense, segundo a polícia.
A prisão foi resultado de uma investigação conjunta entre as polícias civis do Rio Grande do Norte e de Mato Grosso, com apoio da Polícia Federal.
Segundo a Polícia Civil de Mato Grosso, Aluísio, natural de Riachuelo (RN), tinha 26 anos quando ocorreu a chamada Tragédia do Baldo. Ele deixou o estado após o caso ganhar repercussão nacional. Desde então, passou a viver em Cuiabá utilizando documentos falsos em nome de uma pessoa morta.
Ainda conforme a polícia, a localização do foragido começou após a corporação potiguar solicitar apoio à Gerência Estadual de Polinter e Capturas de Mato Grosso. A partir desse contato, as equipes iniciaram um trabalho conjunto para confirmar a identidade e o paradeiro do homem.
Durante semanas, investigadores do Núcleo de Inteligência realizaram levantamentos, cruzaram informações e utilizaram sistemas de reconhecimento facial até identificar uma pessoa com características compatíveis com as do procurado.
A semelhança física não era suficiente para confirmar sua identidade. A investigação foi aprofundada com o apoio da inteligência da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e das diretorias de Habilitação e de Veículos do Detran-MT.
Paralelamente às análises, policiais realizaram diligências em campo para reunir imagens e outras informações que levassem ao paradeiro de Aluísio.
Conforme a Polícia Civil de Mato Grosso, os levantamentos permitiram localizar uma residência no bairro Jardim Presidente I, em Cuiabá, onde ele levava uma vida discreta e havia formado uma nova família.
O mandado de prisão foi cumprido no local e, em seguida, ele foi encaminhado à Polinter e colocado à disposição da Justiça.
A reportagem tentou contato por email com a Defensoria Pública de Mato Grosso, que atuou na defesa do condenado no momento da prisão, mas não obteve resposta na tarde deste sábado (27).
"A implantação do Núcleo de Inteligência fortaleceu significativamente o trabalho da Gerência de Capturas, proporcionando maior eficiência na pesquisa, análise de dados e apoio às equipes, o que tem resultado em importantes prisões de foragidos da Justiça", afirmou a delegada titular da Polinter, Silvia Maria Pauluzzi de Siqueira.
Tragédia do Baldo
A condenação de Aluísio está ligada a um dos episódios mais trágicos de Natal. A ocorrência se deu quando um ônibus conduzido por ele atingiu foliões que participavam do tradicional bloco Puxa-Sacos. O atropelamento matou 19 pessoas e deixou dezenas de feridos.
Entre as vítimas estavam o neto do então senador Dinarte Mariz e cinco sargentos da Polícia Militar.
Em depoimento citado pela Polícia Civil, Aluísio afirmou que havia encerrado sua jornada de trabalho quando foi chamado por um superior para substituir outro motorista que não poderia realizar uma viagem.
Segundo o relato dele, o bairro Alecrim registrava intensa movimentação devido ao Carnaval e diversos ônibus estavam à disposição dos foliões.
O motorista contou ainda que, ao chegar à região conhecida como Baldo, enfrentou uma descida com pouca iluminação enquanto conduzia um ônibus lotado de integrantes de uma escola de samba.
Em determinado momento, precisou desviar de um fusca que seguia à sua frente. Ao retornar para a faixa de rolamento, encontrou outra escola de samba caminhando pela via e disse que não houve tempo nem espaço para evitar o atropelamento.