Estudante de medicina morta levou mais de 100 facadas
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A estudante de medicina Letícia de Morais Vasconcelos Rodrigues, 40, foi assassinada com mais de 100 facadas. A informação consta no laudo da Polícia Civil de Minas Gerais que embasou a conversão da prisão em flagrante do suspeito, Gustavo Dutra Lima, 25, em prisão preventiva, após pedido feito à Justiça pelo Ministério Público mineiro.
Letífica foi assassinada com requintes de crueldade. "A vítima foi atingida, inacreditavelmente, por mais de uma centena de golpes, que lhe causaram múltiplas lesões e vasto derramamento de sangue, denotando extrema violência e dolo intenso", destacou o MP mineiro no pedido para que a Justiça mantivesse a prisão de Gustavo -o judiciário acatou a solicitação.
Promotoria ressaltou que as dezenas de golpes sofridos por Letícia demonstram um "ataque reiterado" e não uma agressão isolada. A estudante foi atingida principalmente na região da face, no pescoço, nas costas e nas mãos -o que indica que ela tentou se defender, mas não conseguiu, de acordo com o MP.
MP afirmou que Gustavo é uma pessoa de "elevada periculosidade". Para o órgão, a forma como Letícia foi morta demonstra seu "absoluto desprezo pela integridade física e pela vida da mulher com quem mantinha vínculo afetivo".
Faca usada no crime foi encontrada dentro do apartamento da vítima. A arma foi recolhida e será periciada. A polícia ainda não esclareceu a motivação para o crime.
Gustavo está preso desde o domingo (28). Em nota ao UOL, a defesa dele informou que, "neste momento, não se manifestará sobre os fatos relacionados à investigação em curso".
Defesa afirmou que só vai se manifestar nos autos do processo. "Em respeito à regularidade das apurações, ao devido processo legal e à estratégia defensiva, quaisquer esclarecimentos ou manifestações serão apresentados exclusivamente nos autos, no momento processual oportuno e perante as autoridades competentes", disseram os advogados Tatiana Cristina Cavalieri Tomaz da Silva Chaves e Marcelo José Cerqueira Chaves.
Corpo de Letícia foi encontrado na manhã do domingo (28) pelo ex-marido dela. O homem foi até o endereço após uma amiga procurá-lo para reportar o desaparecimento da vítima. Com a autorização de uma vizinha, ele acessou o apartamento de Letícia pela sacada e viu ela caída no chão da sala. Na sequência, o ex-marido, que estava acompanhado pelo padrasto de Letícia, acionou o Samu e a PM, mas a morte foi confirmada no local.
Principal suspeito do crime é o atual namorado de Letícia. O rapaz, identificado como Gustavo Dutra Lima, foi preso na cidade de Bom Jardim de Minas, distante 180 km de Barbacena, onde o crime ocorreu. Eles estavam juntos há menos de um ano.
Testemunhas relataram à PM que Gustavo e Letícia tinham ido juntos a um evento na noite da sexta-feira (26), última vez em que ela foi vista com vida. Eles teriam deixado o local e ido para o apartamento da vítima. Quando amigos passaram a se preocupar com o sumiço de Letícia durante a tarde do sábado (27), mandaram mensagem para Gustavo, mas ele alegou não saber onde ela estava, ainda segundo a polícia.
Gustavo também disse à polícia que estava na cidade de Carandaí, a 38 km de Barbacena. Entretanto, a PM o localizou em Bom Jardim de Minas. Ao ser preso, o homem estava com a carteira e três cartões bancários da vítima.
Vítima já havia registrado ocorrência contra Gustavo. No dia 21 de fevereiro deste ano, a vítima prestou queixa contra o namorado e relatou comportamento agressivo do suspeito, que a teria ameaçado e demonstrado ciúmes excessivo. Eles mantiveram o namoro e o homem não chegou a ser preso.
Letícia estava na reta final do curso de medicina. Por meio de nota nas rede sociais, a Faculdade de Medicina de Barbacena lamentou o ocorrido e prestou "seus mais sinceros sentimentos aos familiares e amigos" da vítima.
Letícia deixa dois filhos, de 18 e 12 anos, de um relacionamento anterior. O corpo dela foi sepultado ontem, no Cemitério Parque Repouso da Cidade, em Barbacena.
EM CASO DE VIOLÊNCIA, DENUNCIE
Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.
O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico.
Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99656-5008.
As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, canal voltado a violações de direitos humanos.
Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH).
Caso esteja em situação de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha.