PMs são presos por tortura após quebrarem braço e dedos em abordagens no PR
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Dois policiais militares foram presos ontem por suspeita de torturar e extorquir pessoas durante abordagens na cidade de Pontal do Paraná, no litoral do estado.
Policiais foram alvos de operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público paranaense. Como eles não tiveram os nomes divulgados, não foi possível localizar suas defesas. O espaço segue aberto para manifestação.
Militares filmavam as sessões de tortura e compartilhavam entre si. Em uma gravação, datada de agosto de 2025, os dois torturam um jovem de 24 anos com pedaços de madeira, socos e chutes ao atenderem uma ocorrência por suspeita de invasão de domicílio.
Vídeo exibido pela RPCTV, afiliada da TV Globo no estado, mostra vítima encolhida no chão enquanto é agredida e ameaçada. "Não vai gritar?", diz um agente. A vítima responde: "Não vou". Em seguida, o militar aponta um pedaço de madeira usado nas agressões.
Agentes debochavam das vítimas em meio as sessões de espancamento. Ao comentarem suas condutas criminosas, os militares destacavam os gritos de dor do jovem enquanto ele era torturado, afirma o Ministério Público.
Investigações tiveram início no ano passado após denúncia feita por uma vítima. Um rapaz relatou que havia sido torturado e extorquido pelos dois militares. Eles teriam exigido o pagamento de uma propina mensal e chegado a ameaçar até mesmo os familiares do homem se o pagamento não fosse feito.
Promotoria apreendeu os celulares dos agentes em novembro passado e encontrou evidências da conduta criminosa. No aparelho de um deles, o agente confessa parte das agressões para a companheira e chega a narrar as torturas que ele e o colega praticavam.
Militar narrou ter fraturado os ossos de quatro vítimas. "Estava no Gaivota espancando quatro pessoas no meio do mato escondido. Estávamos quebrando o braço e os dedos deles", escreveu o policial na mensagem enviada para a esposa, ainda conforme o MP.
Justiça do Paraná aceitou a denúncia oferecida pela Promotoria. Agora, os dois policiais militares são réus por tortura e extorsão no exercício de cargo público.
Polícia Militar do Paraná afirmou colaborar com as investigações. Em nota, o órgão informou que os dois militares "permanecem custodiados e afastados de suas atividades", e disse não concordar com as condutas deles.
"A PMPR reafirma seu compromisso permanente com a legalidade, a moralidade, a ética e a transparência, destacando que não compactua com qualquer conduta que contrarie os preceitos legais e os valores constitucionais", disse a PM paranaense, em nota.