Ex-subsecretária da Educação falta pela terceira vez à ALMG para explicar contratos de R$398 milhões
Kellen Senra não compareceu à audiência sobre compras de material didático; comissão vai marcar nova convocação.
A ex-subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica da Secretaria de Estado de Educação (SEE), Kellen Silva Senra, faltou pela terceira vez a uma audiência pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em que deveria prestar esclarecimentos sobre dois contratos de compra de material didático da rede estadual, que somam cerca de R$ 398 milhões.
A audiência foi realizada nesta terça-feira (1º) pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da ALMG. As duas reuniões anteriores, convocadas com o mesmo objetivo, também terminaram sem o depoimento da ex-subsecretária.
Os encontros foram solicitados pela presidente da comissão, deputada Beatriz Cerqueira (PT), para discutir a execução dos contratos firmados com a empresa Fazer Educação Ltda. e com o Consórcio Cdel-EBN.
Segundo a parlamentar, as ausências sucessivas reforçam a necessidade de continuidade das investigações. “Nos parece que a ex-subsecretária não quer prestar esclarecimentos à Casa Legislativa”, afirmou durante a audiência.
Contratos estão suspensos
Os dois contratos foram assinados durante a gestão do ex-secretário de Estado de Educação Rossieli Soares, exonerado em abril após a Controladoria-Geral do Estado (CGE) apontar indícios de irregularidades na execução das contratações.
O primeiro contrato, firmado em dezembro de 2025 com a Fazer Educação Ltda., foi assinado sem licitação e tem valor de R$ 348,4 milhões. Antes da suspensão, o Governo de Minas repassou cerca de R$ 172 milhões à empresa.
Já o segundo contrato, de R$ 49,7 milhões, foi firmado em março deste ano com o Consórcio Cdel-EBN como complemento ao primeiro. Ambos permanecem suspensos pela CGE.
Materiais seguem sem uso nas escolas
Durante a audiência, Beatriz Cerqueira afirmou que os livros adquiridos pelos contratos não foram distribuídos e continuam armazenados em escolas da rede estadual.
A deputada também disse que professores identificaram erros no conteúdo das apostilas e classificou o material como inadequado para uso nas escolas.
Segundo a parlamentar, o governo já teria sido alertado sobre possíveis irregularidades antes da assinatura dos contratos. Ela anunciou que a comissão pretende marcar uma nova audiência pública para ouvir Kellen Senra e dar continuidade à apuração do caso.