Pronta para o ataque
Mako faz referência aos tubarões mais rápidos do mundo, que usam a velocidade para alcançar com facilidade suas presas. Também é o nome da futura picape intermediária da BYD, que começa a ser produzida em Camaçari (BA) em outubro e deve ser lançada até novembro.
Trata-se do primeiro projeto da fabricante feito pela engenharia brasileira. Mais: é o primeiro automóvel desenvolvido pela BYD fora da China. A Mako foi pensada para o nosso mercado e chega para encarar a Fiat Toro, que nada de braçada há anos no segmento de caminhonetes intermediárias.
Depois de testar as águas na categoria de picapes médias com a Shark - mais uma referência aos predadores dos mares -, a fabricante chinesa pretende, enfim, despontar entre os modelos mais leves por meio da Mako. Para isso, aposta na receita da principal rival para conquistar consumidores.
O Jornal do Carro, do Estadão, testou o protótipo da picape no Raceville, clube automobilístico localizado em Brotas (SP). Lá, tivemos contato exclusivo com a Mako e ainda obtivemos informações inéditas sobre a caminhonete feita sobre a base do SUV Song Pro.
A Mako entrega nas primeiras acelerações a vantagem mais evidente de seu conjunto híbrido plug-in flex. Garante respostas ágeis e progressivas, favorecidas pelo motor elétrico. Não há sobra de força, mas também não falta disposição. Quando a velocidade aumenta, o motor a combustão sobe de giro e passa a ser ouvido com mais clareza.
A BYD confirmou ao JC que a Mako terá propulsor elétrico mais potente e potência combinada superior aos 219 cv do Song Pro. A fabricante, contudo, ainda esconde o número definitivo. As duas versões, GL e GS, compartilharão motorização e bateria, cuja capacidade também permanece em segredo. Ambas terão tração 4x2. O conjunto com tração integral do Song Plus Premium deve ficar para uma etapa posterior.
Segundo a BYD, a Mako deverá superar os 1.000 km de autonomia combinada e percorrer cerca de 100 km apenas com eletricidade em uso real. Como referência, o Song Pro GS flex, equipado com bateria de 18,3 kWh, tem 72 km de alcance elétrico pelo Inmetro. A expectativa para a picape é promissora, mas o número estimado pela fabricante ainda depende de homologação.
Na pista, a impressão foi de uma picape mais na mão do que no contato anterior, uma única volta rápida em Interlagos, no mês passado. A direção ainda poderia informar melhor o que acontece entre os pneus e o chão, mas o conjunto transmitiu mais confiança. A engenharia da marca diz que não houve mudanças de calibração entre os testes, feitos em condições distintas.
A suspensão independente nas quatro rodas aproxima a experiência à de um SUV. Ou, para ficar na referência óbvia, de uma Toro com o acerto pouco mais macio. A carga das molas pareceu adequada nas condições do teste, com bom equilíbrio entre conforto e sustentação da carroceria. Há suavidade no primeiro movimento, mas sem inclinação excessiva nas curvas.
Na estrada de terra, o acerto também funcionou bem. A Mako, que utiliza estrutura monobloco, absorveu as irregularidades sem transformar o percurso em um castigo. A traseira pulou um pouco, comportamento que precisa ser relativizado pela caçamba vazia. Faltou avaliar como a suspensão trabalha com carga, condição fundamental para quem pretende usar a picape no batente.
Os freios, por sua vez, deixaram uma impressão melhor. O pedal não apresentou a resposta borrachuda percebida em Interlagos. No Raceville, o sistema pareceu bem dimensionado e permitiu dosar as frenagens com confiança. O isolamento acústico e a contenção de vibrações também agradaram para um veículo ainda em desenvolvimento.
O desenho externo seguirá a identidade do protótipo. Segundo a marca, a dianteira inspirada no antigo Song Plus foi bem recebida pelo público. O interior ainda não foi apresentado em sua versão definitiva, mas podemos esperar uma cabine típica da família Song.