Mulher acusada de matar cinco filhos vai a júri popular em Minas Gerais
Justiça manteve a prisão preventiva de Gissele Rosângela de Oliveira, acusada de provocar a morte das crianças com substâncias tóxicas, medicamentos e asfixia; defesa contestou as provas e pediu a impronúncia.
Gissele Rosângela de Oliveira será julgada pelo Tribunal do Júri pela morte de cinco filhos, todos menores de idade, em casos que teriam ocorrido entre 2007 e 2023, nas cidades de Jaguaraçu e Timóteo, em Minas Gerais. Segundo a denúncia, a acusada teria administrado continuamente substâncias tóxicas, venenos e medicamentos de uso controlado às crianças. Em alguns episódios, também teria utilizado métodos de asfixia. A Justiça manteve a prisão preventiva e negou à ré o direito de recorrer em liberdade.
De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a mulher consideraria os filhos “um fardo”, com um “total sentimento de egoísmo associado ao ódio” pelas vítimas.
A denúncia também aponta que, entre abril e setembro de 2025, Gissele teria ameaçado e constrangido testemunhas e informantes para interferir nas investigações policiais. Por esse motivo, ela também responderá por coação no curso do processo.
Defesa contestou as acusações
A defesa alegou ausência de provas e de indícios suficientes de autoria. Também citou o indeferimento de um incidente de insanidade mental e pediu que a acusada não fosse submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri, além do afastamento das qualificadoras.
Ao analisar o caso, a juíza Marina Souza Lopes Ventura Aricodemes considerou que os elementos apresentados indicavam a possível participação da acusada nos episódios. Segundo a magistrada, cabe ao Conselho de Sentença decidir definitivamente sobre a dinâmica dos fatos e a autoria, e a ausência de testemunhas oculares, por si só, não é suficiente para impedir o julgamento.
A juíza também destacou os indícios apontados pelo exame toxicológico. Conforme a decisão, foram identificados elementos mínimos de que a substância encontrada no organismo das crianças teria sido administrada durante o período em que elas estavam sob os cuidados exclusivos da acusada.
Acusação inclui qualificadoras
Pelas cinco mortes, a ré será julgada por homicídios qualificados. Entre as qualificadoras apontadas estão motivo torpe, emprego de veneno ou de meio insidioso ou cruel, asfixia e recurso que teria dificultado a defesa das vítimas.
A prisão preventiva de Gissele foi mantida, e a Justiça negou o pedido para que ela pudesse aguardar o julgamento em liberdade.