Um desenvolvimento arrojado e para todos (I)

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Um desenvolvimento arrojado e para todos (I)
 Eleições 2012 14/9/2012

Um desenvolvimento arrojado e para todos (I)

Já se tornou lugar comum a afirmação de que Juiz de Fora distancia-se a passos largos de seu passado como a "Manchester Mineira" para se tornar uma cidade de serviços. O tema do desenvolvimento destaca-se como o epicentro das estratégias a serem traçadas quando se discute o futuro da cidade e a melhoria da qualidade de vida de seus cidadãos. Nós brasileiros, sabemos que crescimento econômico não se traduz necessariamente, como numa relação de "causa e efeito", em desenvolvimento social e o período do "Milagre Brasileiro" é um bom exemplo disso, mas sem dúvida ele é imprescindível per se e pela base material que gera para alicerçar um desenvolvimento sustentável e socialmente orientado. Aumentar os investimentos industrial, agrícola, comercial e nos serviços é pois a condição primeira para a geração de empregos e renda para a população. Os que têm origem externa precisam se entrelaçar com as atividades da cidade, utilizando seus fornecedores e serviços e trazendo enfim, um impacto positivo para a cidade. É imperativa uma política de contrapartidas ou de contratualização de metas com o poder público, tanto no caso dos investimentos que aportam na cidade como no caso dos endógenos; só assim se afirma uma relação de parceria e não de benesses.

Às indústrias já consolidadas na cidade (metal-mecânica, têxtil, alimentos e bebidas, indústria química e outras) é preciso assegurar todo o apoio para que possam elevar sua competitividade através, entre outros fatores, de incrementos tecnológicos e mesmo do aumento de seu potencial inovativo e assim sua maior participação no mercado nacional. As micro, pequenas e médias empresas merecem toda a atenção do poder público, sendo o primeiro passo a implementação imediata da legislação a elas concernente. O setor rural precisa ver reconhecidas suas possibilidades de aproveitamento industrial da produção leiteira e outras alternativas.

Ao poder público cabe o papel de líder desse processo de retomada do desenvolvimento e algumas medidas que a ele competem têm grande potencial dinamizador da economia: promover a interlocução entre os agentes econômicos e as instituições de ensino, pesquisa e tecnologia para que se estabeleça uma troca produtiva; desenvolver em associação com entidades como o SENAI, SEBRAE, FIEMG, UFJF, universidades particulares, EMBRAPA e outras, uma política de capacitação dos agentes envolvidos no processo produtivo como a qualificação dos trabalhadores, a capacitação gerencial dos quadros executivos das empresas, dos fornecedores locais, etc.; informar e atualizar os empresários quanto aos programas e projetos dos governos estadual e federal bem como dar suporte para os procedimentos necessários à participação em tais iniciativas; dar suporte à economia solidária; solucionar os problemas relacionados ao trânsito e ao transporte otimizando a utilização das estradas vicinais e do aeroporto regional.

O eixo orientador dessas e de outras ações precisa ser a retomada da tradição da cidade como pólo industrial, apoiando e estimulando as indústrias, tradicionais ou de base tecnológica, existentes ou a serem instaladas na cidade. O setor de serviços tornou-se também muito relevante na economia local; com destaque para o comércio e a rede de ensino, atrai um grande público das cidades próximas e contribui para a integração com as mesmas, mas seria desejável que o elo com a Zona da Mata se estendesse às estratégias de desenvolvimento econômico. A localização da cidade, próxima aos principais centros do país, é um fator a ser explorado em favor de atividades como turismo de eventos e logística e a articulação produtiva com a Zona da Mata é condição indispensável para o reencontro da cidade com o seu passado de prosperidade, mas agora num patamar superior.


Helena Motta é graduada em Filosofia pela UFJF, mestre e doutora em Ciência Política pelo  IUPERJ. Professora associada da UFJF, onde lecionou desde 1980 e aposentou-se em 2008. É integrante de um grupo de pesquisa da UFJF sobre Política Industrial e Ignacio Godinho Delgado, professor da UFJF, autor de diversos trabalhos sobre a política social brasileira e os dilemas do desenvolvimento no Brasil. Doutor em Sociologia e Política pela UFMG. Senior Visiting Fellow no International Development Department da London School of Economics (2011-2012).