Estudantes protestam contra falta de fisioterapeutas na saúde pública

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Quarta-feira, 13 de outubro de 2010, atualizada às 18h13

Estudantes protestam contra falta de fisioterapeutas na saúde pública

Clecius Campos
Repórter

Estudantes de fisioterapia protestaram contra a falta de profissionais da área na saúde pública em Juiz de Fora, na manhã desta quarta-feira, 13 de outubro. O grupo alertava a população sobre a necessidade de mais fisioterapeutas nas três esferas de atendimentos. A ação comemorou o Dia do Fisioterapeuta.

"Além de comemorar, queremos expor a situação complicada em que se encontra a saúde de forma geral e especificamente os serviços ligados à fisioterapia", informa o presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Fisioterapia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Lucas Cavalcanti Leite.

Segundo Leite, há ao todo 14 fisioterapeutas da Prefeitura trabalhando no Sistema Único de Saúde (SUS) em Juiz de Fora. Desses, apenas a metade é formada por profissionais concursados. "Na atenção primária, há atendimento em fisioterapia em apenas duas UBS [antigas Unidades Básicas de Saúde, atuais Unidades de Atenção Primária à Saúde - UAPS]. Na atenção secundária, são apenas quatro profissionais, trabalhando na Policlínica de Benfica. O restante dos atendimentos é realizado via convênios, pela iniciativa privada. Na atenção terciária, apenas o HPS [Hospital de Pronto Socorro] presta atendimentos, com seis fisioterapeutas trabalhando. O número é insuficiente, já que deveria haver pelo menos um terapeuta em cada um dos três turnos para atender a dez leitos de UTI [Unidade de Tratamento Intensivo]. O HPS não é só a UTI."

O estudante condena os atendimentos terceirizados na atenção secundária e aponta a necessidade de acompanhamento do poder público no serviço prestado. "Os convênios relevam uma realidade de atendimento massificado, com sessões coletivas. Não há controle de qualidade e dos resultados por parte do poder público. O executivo tem que ser responsável pela qualidade."

Segundo a assessoria de comunicação da pasta, na atenção primária, os atendimentos são realizados nas Uaps dos bairros Santos Dumont e Nossa Senhora das Graças. A população coberta pela Uaps do Jóquei Clube II recebe atendimento via convênio com uma universidade da cidade. Segundo a secretaria, há projeto de expansão da atenção primária, que engloba o aumento da oferta de fisioterapeutas.

A intenção é contratar quatro equipes do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) até o final deste ano. Cada equipe tem um fisioterapeuta em sua composição. Os grupos ficariam responsáveis por nortear o trabalho da Estratégia de Saúde da Família (ESF), treinando os profissionais do programa, com o objetivo de reabilitação dos pacientes, melhoria na qualidade de vida e redução da incapacidade. Os quatro núcleos beneficiarão a população dos bairros Santa Cruz, Igrejinha, São Judas Tadeu, Barreira do Triunfo, Humaitá, Vila Esperança, Jóquei I e II, Jardim Natal, Monte Castelo, Milho Branco, Vila Olavo Costa, Santo Antônio e Furtado de Menezes. Outras quatro equipes do NASF podem ser implantadas em 2011 e há previsão para mais duas em 2012.

Na atenção secundária, há quatro profissionais trabalhando, sendo um concursado. Cinco estagiários complementam o quadro de atendimento. O restante é direcionado à iniciativa privada, via convênios. A assessoria não comentou sobre o controle de qualidade. No HPS trabalham seis fisioterapeutas, sendo cinco contratados. A secretaria não informou sobre a necessidade de aumento na contratação nos serviços secundário e terciário.

Os textos são revisados por Thaísa Hosken