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    Segunda-feira, 11 de março de 2013, atualizada às 18h48

    Clínica São Domingos é fechada, causando apreensão entre familiares de pacientes

    Cintia Charlene
    *Colaboração
    associação

    A Clínica São Domingos, no bairro Paineiras, foi fechada no último final de semana e as chaves foram entregues aos proprietários do imóvel na tarde desta segunda-feira, 11 de março. Durante o final de semana, 105 pacientes foram transferidos para a Clínica Aragão Vilar, o Hospital Ana Nery e a Casa de Saúde Esperança.

    De acordo com o secretário de Saúde de Juiz de Fora, José Laerte Barbosa, todos os pacientes  foram retirados. ''Alguns foram transferidos e outros receberam alta. Os pacientes já estão realocados, recebendo alimentação, vestuário e sua diginidade está sendo respeitada. Fizemos um estudo, antes da mudança, para ver para onde os pacientes iriam ser transferidos. O São Domingos não oferecia condições dignas para que os pacientes permanecem no local.''

    Durante a tarde, membros da Associação dos Familiares de Doentes Mentais (AFDM) se reuniram para expor suas opinões e angústias geradas pelo fechamento da clínica. Algumas famílias não foram avisadas das transferências dos pacientes, o que resultou em muitos desencontros. Waldir José de Oliveira tem um irmão que há mais de 15 anos estava internado no São Domingos. ''No domingo [dia 10], fui visitá-lo e, quando cheguei lá, me disseram que ele havia sido transferido para a Casa de Saúde Esperança. Lá, me informaram que ele não estava, daí fui procurá-lo no Hospital Ana Nery, ao chegar, fui informado que eu não poderia vê-lo porque o horário de visita havia terminado. Achei uma falta de respeito esta falta de informação. Com a mudança, vai ficar mais difícil  o deslocamento, mas eu não tenho como ficar com ele. Vim para a reunião para me juntar aos outros familiares para nos fortalecermo."

    De acordo a presidente da assossiação, Irene Aparecida Vitorino, a situação é preocupante. ''Estive, no domingo, na Casa de Saúde Esperança e vi que os funcionários antigos foram afastados e a Prefeitura entrou com os seus funcionários. São muitos problemas, tanto para os novos funcionários, como para os familiares e pacientes. Está todo mundo perdido.  Os pacientes estavam muito agitados. Estamos preocupados com a alimentação porque alguns pacientes são diabéticos, hipertensos. Além disso, alguns tiveram alta e vão ser tratados pelos Caps, mas tem muitos pacientes que não tem condição de fazer o tratamento fora do hospital. Outra preocupaçao é com os funcionários antigos. Torcemos para que sejam recontratados, porque muitos se preocupam com os pacientes, pois já estão acostumados. Outro agravante é a situaçao do Aragão, que já foi descredenciado pelo Ministério da Saúde. Se ele fechar, não sei o que acontecerá com os pacientes. O Hospital Ana Nery é aberto e temo que os pacientes fujam e que sejam atropelados na rua.''

    Para a reunião, foram convidados, além da imprensa, a Promotoria de Saúde, a Ouvidoria de Saúde, o Conselho Municipal de Saúde, representantes da Saúde Mental e dos Direitos Humanos, com o objetivo de expor o que está acontecendo e como será  daqui para frente.

    Segundo Irene, vários funcionários estão com salários atrasados há dois meses e alguns foram afastados. Com relação a isso, o secretário de Saúde explica que a situação é de competência da empresa e do  sindicato dos trabalhadores do setor. ''Depois que eles tiverem sua situação resolvida, podemos readmiti-los."

    De acordo com o representante do Direitos Humanos, Rômulo Goretti, não cabe, neste momento, uma posição da instituição. ''Peço que os familiares que tenham alguma reclamação ou denúncia, que nos procure e nos relate, sob a garanti de que o sigilo será mantido. Primeiro precisamos ouvir, saber o que está acontecendo, para verificarmos e produzirmos um relatório com todos os dados levantados para ser encaminhado a Brasília, onde a situação será julgada e município receberá uma resposta.''

    *Cintia Charlene é estudante do 7º período de Comunicação Social da UFJF

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