Boletim mostra que pandemia em Juiz de Fora continua descontrolada

De acordo com os dados publicados no boletim, foram registrados até o dia 21 de junho 36.392 casos

da Redação - 25/06/2021

Mesmo com uma leve diminuição no número de casos e de mortes por Covid-19 em Juiz de Fora na última semana, os indicadores demonstram que a pandemia continua descontrolada em Juiz de Fora. É o que aponta a trigésima edição do boletim informativo da plataforma JF Salvando Todos, divulgada no dia 23 de junho.

De acordo com os dados publicados no boletim, foram registrados até o dia 21 de junho 36.392 casos e 1.732 mortes por coronavírus na cidade, que representam um aumento de 5,5% e de 3,5% respectivamente quando comparados ao cenário de quatorze dias atrás. A nota demonstra um leve aumento na taxa de crescimento do número de casos e uma diminuição para o número de mortes, considerando as taxas de 4,8% e 5% respectivamente aferidas no período do boletim anterior.

O pesquisador Marcel Vieira, um dos autores do documento, destaca que “no município o número de casos permaneceu em um nível muito elevado nas últimas duas semanas. O número de óbitos vem dando sinais de quedas, mas ainda se encontra em um nível elevado quando comparado aos meses iniciais da pandemia.”

Um dos parâmetros que demonstra o controle de uma pandemia, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), é o Número de Reprodução Efetivo (Rt), que deve ficar abaixo de 1 por duas semanas consecutivas para demonstrar o sucesso na contenção de novos casos. Entretanto, esta condição não é verificada no município de Juiz de Fora, tendo em vista que o Rt teve uma máxima de 1,28 no dia 16 de junho e mínima de 0,94 no dia 21 do mesmo mês.

A taxa de letalidade em Juiz de Fora teve uma leve diminuição, totalizando em 4,76% no dia 21 de junho, sendo que na última aferição, realizada em 7 de junho, o número era de 4,85%. A taxa continua acima das médias estaduais e nacionais, mas Vieira explica que isso pode acontecer por conta de diferentes motivos.

“A capacidade de testagem pode ser um fator importante, ou seja, uma maior quantidade de testes realizados e mais diagnósticos de casos leves e assintomáticos pode levar a uma redução da taxa de letalidade. A demografia do município pode ser também um fator importante, uma vez que municípios com uma maior proporção de idosos poderiam estar apresentando maior risco de morte, sobretudo antes do início da vacinação”, conclui o pesquisador.

Ritmo de vacinação acelera

O documento aponta um aumento expressivo no ritmo de vacinação na cidade na última semana. A média móvel de primeiras aplicações era de 464,4 no dia 8 de junho, e teve um salto para 3.278,4 no último dia 22. Na 24ª semana epidemiológica, compreendida entre os dias 13 e 19 de junho, foram aplicadas 30.118 doses, caracterizando um aumento de 243,8% frente à semana anterior, demonstrando a aceleração do processo.

Até o dia 22 de junho, haviam sido aplicadas 307.014 doses, sendo que 210.259 foram destinadas para a primeira aplicação e 96.755 para a segunda. Ao considerar a projeção habitacional do IBGE de 573.285 habitantes em Juiz de Fora, pode-se dizer que 36,7% e 16,9% da população receberam, respectivamente, a primeira e a segunda dose.

Vieira considera positivo o avanço. “É preciso lembrar que os efeitos do aumento na imunização da população somente terá reflexo mais claro no cenário epidemiológico do município quando a cobertura vacinal estiver em um patamar mais elevado, com pelo menos 70% da população vacinada, como sugerem outros estudos”, reforça.

Adesão ao isolamento social continua baixa

A circulação de pessoas continua elevada no município, de acordo com dados aferidos por meio do Google Mobility e disponibilizados no boletim. No último sábado (19 de junho), o número de pessoas em casa era 10% maior que em períodos anteriores à pandemia. Já no período de quatorze dias atrás, essa porcentagem era de 11%, o que pode indicar uma diminuição no isolamento social. Da mesma maneira, a ida aos locais de trabalho apresentou uma alta de 1% em relação ao último período aferido.

Cenário nacional

O boletim também destaca a grave situação da pandemia no Brasil. Nesta semana a triste marca de 500 mil vidas perdidas foi alcançada, e a média móvel de óbitos apresenta uma tendência de aumento desde o dia seis deste mês, alcançando a média de 2.051 vidas perdidas no dia 21 de junho. Já a média móvel de casos está novamente em alta, atingindo um dos maiores números no dia 21 de junho com 73.459 casos notificados. A tendência do aumento de mobilidade também é verificada, ao ponto que 6% das pessoas estão em isolamento, contra 9% verificados nos últimos quatorze dias.

O número de vacinados com a primeira dose teve um salto nos últimos 14 dias, atingindo a marca de 8.366.810 pessoas imunizadas na 24ª semana epidemiológica. Entretanto, houve uma queda no número de aplicações de segunda dose neste mesmo período, totalizando 623.365 pessoas agora com o esquema vacinal completo.

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