Amigos e entidades se despedem de Marco Trajano

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Amigos e entidades se despedem de Marco Trajano

O mundo LGBTQIA+ está de luto. Morreu, no último sábado, 17 de julho, o ativista Marco Trajano (57 anos), vítima de complicações da Covid-19 (saiba mais sobre Marco). 


Fundador da ONG Movimento Gay de Minas (MGM), Trajano era servidor público de carreira da Prefeitura de Juiz de Fora, lotado na Procuradoria-Geral do Município. Além disso, ele era um quadro histórico do Partido Democrático Trabalhista (Partido Democrático Trabalhista - PDT).


Trajano estava internado na Santa Casa de Misericórdia desde o fim de junho, após ter sofrido um infarto. “Ele seria submetido a uma angioplastia. Quando fez o pré-operatório, detectaram que tinha testado positivo para a Covid-19”, relata Oswaldo Braga, que foi companheiro de Trajano e também idealizador do Rainbow Fest.


Embora o procedimento cirúrgico tenha sido bem-sucedido, ele foi contaminado com uma infecção hospitalar na unidade de terapia intensiva. “Ele continuou entubado, mas faleceu após uma parada cardíaca”. Trajano ainda não havia sido vacinado contra a Convid-19.


Em nota publicada no Facebook, a Fundação Alfredo Ferreira Lage (Funalfa) lamentou a morte do militante. "Marco idealizou o Rainbow Fest e paradas gay em Juiz de Fora. Aos familiares e amigos, nossos sentimentos. Marco, querido amigo, gratidão pela grande contribuição com a cultura e defesa de direitos em Juiz de Fora. Descanse em paz”.


A Câmara Municipal também se manifestou: "Grande representante na luta pelos direitos LGBTQIA+, Marco fundou a tradicional ‘Rainbow Fest’ e foi atuante nos debates sobre o tema, já tendo sido convidado para audiência pública na Câmara Municipal a respeito dos direitos humanos e sociais relacionados às políticas públicas destinadas à população gay, lésbica, travesti, transgênero e transexual".


O PDT, por sua vez, também emitiu nota de pesar: “referência histórica na luta pelos direitos da população LGBT e quadro histórico do partido. Infelizmente, Marco se junta a outros 540 mil cidadãos brasileiros que foram vitimados pela pandemia. Mais um para essa estatística terrível no momento em que vivemos. Manifestamos nossa solidariedade e oferecemos nosso abraço aos amigos e familiares, em especial ao companheiro de longas datas, Oswaldo Braga. Que a sua luta pelos direitos da população LGBT inspire as novas gerações e que seu trabalho não seja esquecido”.


Também pelas redes sociais, Braga lembrou um momento importante em que os dois estiveram juntos. "Em 1999, eu e Marquinho decidimos divulgar o segundo Rainbow Fest na Parada Gay do Rio. Comprei uns panos e pedi à minha mãe que costurasse duas bandeiras. Duas? Sim, duas. Ela não sabia que Marquinho era meu namorado. _ Vou fazer uma, respondeu, sem muita paciência para costura. Eu, então fiz a segunda, muito mal feita. Fomos vestidos iguais, cada um com sua bandeira do arco-íris.  Estava guardada na mesma gaveta".


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Lei Municipal 9.791 foi sancionada em Juiz de Fora. Popularmente conhecida como Lei Rosa, a nova legislação foi um marco no município em relação ao combate às práticas discriminatórias por orientação sexual. “Ele foi um dos grandes articuladores dessa iniciativa. O Marco ajudou a redigir o texto da lei”, destacou Braga.