Juliano Nery Juliano Nery 22/11/2012

Caso Baependi - Sem contatos imediatos

Ilustração de um homemEstar no lugar certo, na hora certa. Como é bom ter essa sensação. Alinhar a relação do espaço e tempo é um grande desafio nesta correria nossa de cada dia. Imagine os jornalistas, que têm que cumprir prazos de fechamento das notícias, cobrir os fatos que acontecem e tentar planejar o que pode acontecer, por meio das pautas. Insanidade total! E foi em uma reunião de pauta, na rádio em que eu trabalhava em Baependi, no sul de Minas, para decidir o que iria entrar nos drops de notícia de hora em hora da emissora, que me deparei com o tal da hora certa, do lugar certo...

Era maio de 2009. Dificuldades para fechar o noticiário. Repassando as editorias de cidades, esporte, saúde, educação, política... Nada além do corriqueiro. Vida de radiojornalista não é fácil. E ainda tem gente que pensa que é só requentar as notas de jornal e da web... Quando eu já procurava alguma notícia de gaveta, uma vez que não encontrava um bom factual, eis que surge o programador da rádio, Vanduir Abreu, um dos homens mais bem informados que já tive a oportunidade de conhecer, com uma inusitada proposta de tema: os 30 anos do "Caso Baependi". Tudo bem. Mas o que seria o "Caso Baependi"? A partir do relato do voluntarioso programador e de posteriores pesquisas para conceder angulação ao tema, descobri que estava diante de um relato ufológico dos mais relevantes já estudados no Brasil. É, bem antes do ET de Varginha!

Em breves linhas gerais, o "Caso Baependi" trata de um suposto contato realizado por extraterrestres com o agricultor da região, o senhor Arlindo, realizado no dia 16 de maio de 1979, na zona rural do município que dá nome ao episódio. De acordo com os relatos de ufólogos, Arlindo teria avistado um objeto voador não identificado (OVNI), sido abduzido por uma nave e recebido informações de alienígenas sobre a vida lá fora (do planeta), além de terem deixado inscrições no embornal que ele carregava na ocasião. Se o caso já era intrigante, imagina após descobrir, dentre os relatos, que os alienígenas, à época, haviam combinado uma nova visita após 30 anos, novamente com o senhor Arlindo. Olhei no calendário: era dia 14 de maio, quinta-feira. 1979 mais 30 é igual a 2009. Yes! Tínhamos uma pauta! E das boas! Os alienígenas, que não são bobos nem nada, ainda haviam agendado de chegar no sabadão! Tudo perfeito!

E foi assim que deixei uma equipe de prontidão, no plantão de fim de semana. O pessoal percorreu o bairro de Vargem da Lage, onde tudo aconteceu há 30 anos, para verificar se acontecia algo de diferente no céu. O tempo foi passando, a noite chegando, passando e nada. Nem o Sr. Arlindo deu as caras na rua. Nem ao menos uma sonora para a rádio ele concedeu, já que ele não gosta de falar sobre o assunto. O dia 16 de maio de 2009 ficou marcado pelo "bolo" dos alienígenas em Baependi. Cheguei a pensar na possibilidade do tal povo extraterrestre adotar um outro tipo de calendário, que não o gregoriano, com uma contagem de anos diferente da nossa. Até porque seria, para mim, mais reconfortante, ao ver uma pauta cair...

No entanto, embora um tanto cético quanto à existência de outras vidas, já que nunca havia parado para pensar se realmente existe gente em outros planetas e galáxias, confesso que fiquei na torcida para que aparecesse um disco voador, um alienígena ou alguma coisa parecida. Teria sido bacana. Fazer o quê? Quem é jornalista sabe que este nobre ofício não é feito apenas de previsão, mas, principalmente, de fatos. E, desta vez, os extraterrestres não viraram notícia... Mesmo estando no lugar certo e na hora certa, fiquei sem o contato imediato. Mas, se os ETs existem, de fato, eu não ouso duvidar...

Juliano Nery acredita que Minas Gerais é mais do que um Estado. É um estado de espírito. Baependi pode ser encontrada na latitude 21° 57' 32" S 44° 53' 24" W.


Juliano Nery é jornalista, professor universitário e escritor. Graduado em Comunicação Social e Mestre na linha de pesquisa Sujeitos Sociais, é orgulhoso por ser pai do Gabriel e costuma colocar amor em tudo o que faz.

* Ilustração: Lucí Sallum

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