Thiagus Petrus e o papel dos grandes atletas na formação de novas gerações

Capitão da Seleção de Handebol, Thiagus Petrus visitou Juiz de Fora em julho de 2026 para discutir parcerias que levam o handebol às escolas da cidade onde nasceu.

Por Da redação

Bola de handebol no chão de ginásio em frente a gol azul e branco vazio

Thiagus Petrus deixou Juiz de Fora aos 17 anos para jogar handebol em São Paulo. Vinte anos depois, após rodar o mundo, jogar em alguns dos maiores clubes da Europa e defender a Seleção Brasileira em duas Olimpíadas, ele voltou à cidade natal para discutir com o governo municipal como melhorar o handebol local.

Mesmo já realizado pessoal e profissionalmente, o capitão quis voltar à própria comunidade para ajudar outras pessoas a vencerem pelo esporte também. Em julho de 2026, sentou-se com o secretário Marcelo Matta, da Secretaria de Esporte e Lazer (SEL), para discutir parcerias em favor do handebol local.

Quando um grande atleta volta às suas origens

Na SEL, os dois discutiram como aproximar a experiência de alto rendimento das políticas esportivas do município. Estudos já apontam que a introdução do esporte ainda na infância ajuda a aumentar o interesse da criança nas competições e o desempenho na escola.

O interesse do público por esportes olímpicos cresceu na mesma toada. Durante os Jogos de Paris 2024, cerca de 40% dos brasileiros aumentaram a atenção a competições fora do futebol.

Foi esse salto de audiência que levou o mercado de apostas licenciado no Brasil a abrir espaço para modalidades de menor interesse. Hoje, as apostas esportivas acompanham o desenvolvimento do handebol, com odds e análises de partidas de Seleção e de ligas nacionais pelo mundo.

O investimento público também aumentou. Entre 2023 e 2026, o aporte federal em esporte subiu 128,16%, de R$ 767,1 milhões para R$ 1,75 bilhão em média anual, e o Bolsa Atleta bateu recorde em 2026, com 11.182 atletas contemplados.

Entre os planos discutidos na reunião estão a ampliação de escolinhas municipais, torneios de base e o uso da imagem de Petrus junto às escolas públicas. A ideia é transformar a visibilidade do capitão em estrutura permanente, com calendário e treinadores fixos ao longo do ano.

De Juiz de Fora para o topo do handebol mundial

O handebol entrou na vida de Petrus em 2002, por meio de amigos. Em 2004 ele já defendia o Olímpico Atlético Clube, clube de origem na cidade, e em 2006 se transferiu para o EC Pinheiros, onde ganhou três títulos brasileiros.

A Europa veio em 2012, pelo Naturhouse La Rioja, na Espanha, com passagem posterior pelo Pick Szeged, da Hungria, antes do Barcelona. Hoje ele usa a braçadeira da Seleção Brasileira, acumulando centenas de convocações ao longo da sua carreira.

O poder dos exemplos para as novas gerações

A trajetória de Petrus, que saiu de um clube de bairro em Juiz de Fora para vestir a camisa do Barcelona, é, sem dúvida, um exemplo de superação. É bem comum ver jovens brasileiros, estejam na escola ou faculdade, publicarem que atletas os inspiram a ser melhores.

A referência funciona mesmo para quem nunca vai virar atleta profissional. Parte do que fica é a rotina, a disciplina e a percepção de que o topo começa em uma quadra de bairro, a poucos quarteirões de casa.

No handebol, a lista de nomes capazes de cumprir esse papel é curta, e a proximidade entre Petrus e a cidade torna o caso mais raro ainda. Histórias como a dele ajudam a atrair atenção para um esporte historicamente menos midiático que o futebol.

A cobertura local sobre a parceria entre Thiagus Petrus e a Prefeitura de Juiz de Fora mostra que a meta é ampliar o acesso à modalidade na rede pública, a começar pelas mesmas escolas que já formaram outros atletas juiz-foranos rumo aos Jogos Olímpicos.

Como transformar inspiração em oportunidades reais

Inspiração, porém, não sustenta uma modalidade sozinha. Sem quadra, investimento e calendário de competições, a admiração por um ídolo se dissolve em poucos meses, e o jovem que viu o jogo pela TV não encontra onde jogar perto de casa.

A parceria entre Petrus e o governo municipal ajuda a preencher essa lacuna, unindo referência esportiva e política pública municipal. Só que o modelo depende de continuidade orçamentária, de professores contratados e de competições regulares no calendário do município.

Juiz de Fora já levou atletas aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, e a rede municipal é o ponto de partida mais direto para repetir o percurso no sandebol.

Se o projeto avançar como planejado, a próxima geração de handebolistas de Juiz de Fora terá um caminho estruturado dentro da própria cidade. Petrus precisou fazer as malas rumo a São Paulo, em 2006, para encontrar o dele.

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