No mês de combate à LGBTfobia, exclusão de pessoas trans do mercado formal expõe ferida social no Brasil

Com menos de 4% da população trans empregada formalmente, debate em Juiz de Fora propõe reflexão sobre direitos, preconceito e inclusão no trabalho

Por Redação

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Enquanto o Brasil ainda convive com altos índices de violência, exclusão e discriminação contra pessoas LGBTQIAPN+, o Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia, celebrado em 17 de maio, recoloca em evidência uma realidade que insiste em permanecer à margem: a dificuldade de acesso dessa população a direitos básicos, especialmente ao trabalho formal. Dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) apontam que menos de 4% das pessoas trans no país conseguem espaço no mercado formal de trabalho — um retrato que revela não apenas a exclusão econômica, mas um ciclo de vulnerabilidade social ainda pouco enfrentado de forma efetiva.


Em Juiz de Fora, a discussão será ampliada nos dias 19 e 20 de maio, em encontros gratuitos abertos ao público, promovidos pelo Centro Universitário Estácio Juiz de Fora, com participação da advogada e especialista em direitos humanos Giowana Cambrone. A proposta vai além da abordagem teórica: os encontros pretendem provocar reflexão prática sobre preconceito, exclusão, diversidade e construção de políticas mais inclusivas em diferentes espaços sociais e profissionais.


O debate ganha força diante de um cenário em que a informalidade ainda é a principal alternativa de sobrevivência para grande parte da população trans brasileira. Sem acesso contínuo à educação, qualificação e oportunidades formais, muitas pessoas acabam expostas à precarização do trabalho, insegurança financeira e ausência de proteção social. Para especialistas da área, o desafio contemporâneo não está apenas em reconhecer direitos, mas em transformar inclusão em prática concreta, garantindo permanência, acesso e dignidade.


Com trajetória consolidada na articulação entre direitos humanos, diversidade e desenvolvimento profissional, Giowana Cambrone atua como consultora de Diversidade, Equidade e Inclusão do Grupo Yduqs e acumula experiência em políticas públicas, gestão de projetos e defesa de direitos coletivos. Entre 2015 e 2018, integrou o programa Rio Sem Homofobia e, posteriormente, ocupou a vice-presidência da Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero da OAB-RJ, onde participou da construção de ações voltadas ao combate à LGBTfobia e à requalificação civil de pessoas trans.


A especialista também integra o Fórum Permanente do Direito Antidiscriminação da Diversidade Sexual da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ), espaço voltado à discussão de gênero, orientação sexual e enfrentamento às violências motivadas por preconceito.


Segundo a organização, os encontros buscam ampliar o olhar de estudantes, profissionais e comunidade sobre o papel das diferentes áreas do conhecimento na redução das desigualdades históricas. “A inclusão de pessoas trans no mercado de trabalho não pode ser tratada apenas como uma pauta individual. Ela envolve responsabilidade social, políticas públicas e compromisso coletivo com direitos humanos”, destaca a proposta do evento.


No dia 20 de maio, a programação será voltada ao letramento racial e ao enfrentamento do racismo estrutural, promovendo discussões sobre desigualdades étnico-raciais, preconceito e práticas antirracistas nos ambientes acadêmicos e profissionais. A iniciativa pretende fortalecer uma formação mais crítica e socialmente comprometida entre futuros profissionais.


As atividades são gratuitas e abertas ao público. As inscrições podem ser realizadas por meio do link disponível na bio do perfil oficial do projeto no Instagram: @empreendedorasestaciojf.