Cursos rápidos podem ser critários de desempate em seleções profissionais

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Cursos rápidos podem ser critérios de desempate em seleções profissionaisOs treinamentos gratuitos e de curta duração têm peso menor no currículo, mas podem definir de quem é a vaga, diante de profissionais com a mesma bagagem

Clecius Campos
Subeditor
21/5/2011

A participação em cursos gratuitos rápidos e de média duração pode fazer a diferença no currículo nos casos em que a seleção profissional necessite de um critério de desempate. Quando um selecionador depara-se com profissionais com a mesma bagagem — incluindo tempo semelhante de experiência em determinada área —, é possível que tais treinamentos, mesmo com menor peso no currículo, definam de quem é a vaga. Quem informa é o diretor de uma empresa de recursos humanos da cidade, Marcus Túlio Cunha dos Santos.

"De acordo com a tônica do mercado, muitas vezes a experiência fala mais que o título. Mas é inegável que, durante uma seleção, a sorte é sinônimo de preparação. Em uma seleção interna, levando em conta que a empresa é uma pirâmide, que busca nos próprios talentos os futuros líderes, o quesito da preparação vai contar como critério de desempate, se dois colaboradores tiverem a mesma experiência profissional. Nesse caso, tanto uma formação específica, quanto uma formação genérica irão somar pontos."

No entanto, a busca pelo curso certo pode garantir que mesmo os treinamentos de curta duração incrementem de forma mais eficaz o currículo. Segundo Santos, o ideal é associar cursos livres a boas instituições de ensino. "Procure as instituições sérias e faça sempre perguntas. Qual é o conteúdo programático do curso? Há quanto tempo essa escola está no mercado? Além disso, é preciso respeitar a própria vocação. Quando um profissional faz aquilo de que gosta, ele tende a ser mais feliz e, assim, oferecer mais resultados. Hoje, é isso que as empresas estão buscando."

Outro quesito que influencia no momento de escolher um curso de atualização, por exemplo, é verificar a demanda do mercado. "Nem sempre a nossa vocação tem um mercado aquecido. Nossa região, por exemplo, tem alta demanda por competências técnicas. Temos muitos gestores, mas faltam mecânicos, soldadores, operadores de empilhadeira. Na construção civil, por exemplo, nos faltam pedreiros."

Dessa forma, Santos aponta como cursos mais capazes de abrir portas no setor da indústria da transformação aqueles voltados à área de mecânica, elétrica, soldagem e manutenção pesada. O profissional do setor de serviços pode procurar por treinamentos na área da qualidade do atendimento e de call center. Já o trabalhador do comércio pode buscar um curso específico de técnica de vendas. "Todos os cursos abrem a mente e contribuem de alguma forma. Experiências desse tipo podem, inclusive, levar o profissional a encontrar sua vocação natural."

Cursos online

A formação online, advinda da difusão da educação a distância (EAD) também é considerada válida, como forma de captar conteúdo de informação. No entanto, Santos alerta que os cursos online demandam disciplina do aluno. "A formação, seja profissional ou acadêmica, está cada vez mais disponível para quem precisa se especializar, sem sair do escritório. Mas essa modalidade requer muita disciplina, pois, caso não seja executada com zelo, perde-se em causa e efeito."

Profissionais buscam cursos gratuitos

A técnica em contabilidade Andressa Mateus reconhece que seu primeiro curso de informática, feito gratuitamente na Legião da Boa Vontade (LBV), fez diferença em seu currículo. "Foi o primeiro treinamento que me abriu portas no futuro e que levo no meu currículo até hoje." O guarda-mirim Carlos Soares Machado faz, gratuitamente, um curso de empreendedorismo. "Aprendi logística, primeiros socorros e até como montar um currículo. Inclusive, o professor incentiva a colocar esses treinamentos entre as experiências. Acho que os conhecimentos vão me ajudar no futuro."

Os textos são revisados por Thaísa Hosken