Genuinamente brasileira

Produtores criam associação
para produzir cachaça de qualidade

21/06/99

Produzir cachaça de qualidade. Este é o principal objetivo da Associação dos Produtores e Amigos da Cachaça Artesanal de Qualidade de Juiz de Fora e Região (Apraca). A prioridade é adequar os alambiques aos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura. A Associação pretende colocar no mercado os produtos de maior demanda e, também, desassociar a imagem negativa do consumidor de aguardente.

De acordo com Márcio Rocha, assessor da Secretaria Municipal de Agropecuária e Abastecimento (Smaa), a meta é fazer com que a cachaça seja conhecida como uma bebida genuinamente brasileira e, ao mesmo tempo, mudar o sentido pejorativo que ela possui. Desta forma, por primar pela qualidade no processo de produção, o aguardente regional vai se distinguir dos outros que são produzidos de forma clandestina.

As instalações de um alambique têm que possuir paredes rebocadas, piso impermeável, boa ventilação e higienização, além da utilização correta dos equipamentos. Para conseguir o selo do Ministério da Agricultura, que autoriza a comercialização do produto, é necessário ainda avaliação de uma amostra da cachaça, que deve estar dentro de todas as normas exigidas. "A intenção final é obter uma cachaça de qualidade, com higiene", afirma João Crisóstomo Soares, presidente da Apraca.

A Associação foi criada através de incentivo da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater) e Smaa. Esta forneceu o espaço físico para o treinamento - a Fazenda Santa Cândida - , enquanto a Emater se responsabilizou por trazer à cidade um especialista na área de produção de aguardentes. O objetivo é qualificar a mão de obra e padronizar os produtos. Os participantes aprenderão todo processo da cachaça de qualidade, incluindo escolha da melhor variedade de cana para o plantio, técnicas de engarrafamento da bebida e formas de comercialização.

Além de Juiz de Fora, também integram o projeto produtores de Lima Duarte, Santana do Deserto, Olaria, Bias Fortes, Belmiro Braga e Mar de Espanha. A associação surgiu após constantes reuniões dos produtores locais que sentiram a necessidade de criar uma cachaça que primasse pela qualidade e atendesse às exigências do Ministério da Agricultura.

Os produtores esperam, ainda, conseguir financiamento dos governos federal e estadual. Por enquanto, a associação está investindo na criação do "Sócio-Amigo": a pessoa realiza um pagamento trimestral para a Apraca e, em contrapartida, recebe dois litros do produto. A renda será utilizada na promoção de eventos, seminários e cursos. A Apraca pretende produzir 400 mil litros/ano. Minas produz hoje 180 milhões de litros de aguardente. Os interessados em fazer parte da Associação devem procurar a sede que funciona na Rua Tenente Luiz de Freitas, 116, Bairro Santa Terezinha. O telefone é 690-7912.

Colaboração: Jacqueline Glauber,
estudante do 6º período
do curso de Comunicação Social
da UFJF.

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