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    Juliana Machado Juliana Machado 11/10/2013

    Outubro: Mês dos Animais

    animaisEmbora a grande maioria das pessoas não saiba e apesar da ínfima divulgação por aí, além de ser o mês das crianças, de combate ao câncer de mama e o mês dos professores, outubro também é conhecido como o mês dos animais. É no dia 04 deste mês que se comemora o dia de São Francisco de Assis, o padroeiro dos animais. Também é neste dia que se "comemora" o dia mundial dos animais. Coloco a palavra comemora entre aspas de propósito e sugiro aqui uma indagação: O que temos para comemorar?

    Penso que é muito válida uma data para uma reflexão mais enfática a respeito de quem são, como vivem e como são tratados os demais animais que compartilham conosco este mundo. É um momento de reconhecer humildemente a beleza que possuem e principalmente o seu valor moral. Você não leu errado, está escrito valor moral. A filosofia traz como ideia de valor moral o reconhecimento de que um ser tem interesses que importam de fato, sejam estes interesses iguais ou muito diferentes dos nossos. Ter interesses não implica em ter consciência destes interesses. Um elefante pode ter interesse em não sentir dor, por exemplo, sem que seja preciso que ele expresse em linguagem e raciocínio lógico a existência deste interesse. O fato de este animal ter capacidade biológica de sofrer deve nos levar a entender que é do seu interesse não sentir tal sensação, pois nós sabemos que tal percepção é ruim. Importante é que aqueles que conseguem fazer esta avaliação considerem estes interesses na tomada de decisões que incluam todos os seres. E quem são estes digníssimos seres que conseguem fazer tão importante análise biológica e filosófica, caros leitores? Pois é, somos nós. A tão prepotente espécie humana que na grande maioria das vezes falha em exercer tal habilidade cognitiva.

    Em uma sociedade materialista, rápida, egoísta e egocentrada, pensar nos interesses dos outros, especialmente os animais, soa como algo bastante incomum. É quase uma aberração, na verdade. Como já destaquei anteriormente nesta coluna, configura uma excentricidade. Mas me parece bastante ilógico acreditar fielmente que somos extremamente diferentes e superiores, se todos os animais pertencem a um mesmo grupo biológico e se muitos compartilham diversas características importantes conosco – especialmente a capacidade de sofrer. De fato não faz sentido. Soa como uma necessidade desesperada de não escutar o que a ciência e a filosofia dizem. Como quando uma mãe diz algo ao seu filho que ele não quer ouvir e, então, tampa os ouvidos e chora agachado no chão. É isto que estamos fazendo o tempo todo quando não reconhecemos que aquilo que nós comemos sofreu – e muito – antes de chegar aos nossos pratos. Ao não pensar duas vezes em abandonar nosso animal de campanhia nas ruas frias e violentas, simplesmente porque ele não funciona mais como queríamos. Ao ignorar que hoje, neste exato segundo, milhões de animais sofrem em fazendas e fábricas, em laboratórios e em abrigos. Quando alienados participamos de rodeios e rinhas. Todos nós sabemos exatamente o que é sofrimento. Alguns mais, outros menos. Uma empatia mínima nos faria projetar este sofrimento para estes seres e automaticamente recusar que sofram. Mas a empatia exige também uma identificação mínima com o outro, algo que não temos ou evitamos ter com os animais. Não nos vemos ali, logo não nos importamos com eles. Se não nos vemos refletidos na nossa própria espécie, muitas das vezes, que dirá ao confrontarmos uma espécie diferente a qual juramos superar em qualidade...

    Por isso não acho que temos o que comemorar neste mês de outubro. Mas sugiro que seja um mês de reflexão profunda. Se você não consegue reconhecer, celebrar e respeitar a diferença que tem ao olhar para um outro animal, tente provocar um olhar no qual você se veja no lugar dele. Imagine o que é ser um ser que sofre. Diariamente. E não somente imagine. Proponho uma mínima mudança de sua parte agora. Exercite a sua capacidade de desenvolvimento moral. Lembre-se de que somos uma espécie inteligente, habilidosa e com capacidades mentais passíveis para este tipo de reflexão. Vai te gerar um grande incômodo a princípio, mas garanto que no final vai ter fazer um enorme bem. Use este mês de outubro para despertar aos poucos a ética voltada para os animais como forma de acordar daquela negação infantil de que o mundo é só nosso e que fazemos dele e o que quisermos.


    Juliana Machado é Bióloga, mestre em Ciências Biológicas - Comportamento e Biologia Animal - UFJF/MG. Doutoranda em Bioética, ética aplicada e saúde coletiva - UFRJ/UFF/UERJ e Fiocruz.

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