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    JF registra maior infestação de dengue de todos os tempos em sete bairros Gravidade da situação coloca município entre
    os prioritários em todo o país

    Patrícia Rossini
    Colaboração*
    21/01/2009

    O resultado do primeiro Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti (Liraa) de 2009, divulgado na manhã desta quarta-feira, dia 21 de janeiro, pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), aponta índice de infestação de 2,75%. Em alguns bairros, a infestação chega a 7,7%, um recorde na cidade. O aumento, em relação ao Liraa de outubro de 2008, é superior a dois pontos percentuais. A situação é muito grave, de acordo com o Ministério da Saúde, que considera como risco de infestação os índices superiores a 1%.

    Agora, Juiz de Fora integra a lista dos municípios onde o combate à dengue é prioridade. Em todo o Brasil, pouco mais de cem cidades se encontram nessa situação. Além do índice de infestação predial (IIP), o Ministério da Saúde utiliza o número de habitantes como critério para avaliar o risco de cada local.

    Os focos do mosquito transmissor foram encontrados em 83 dos 191 bairros do município reconhecidos formalmente. As zonas norte e leste são as regiões consideradas mais críticas. No entanto, o Liraa aponta um aumento significativo da presença do Aedes aegypti nos bairros da zona oeste.

    Plano emergencial

    Foto da Coletiva Diante da possibilidade de epidemia anunciada pela secretária de Saúde Eunice Caldas, o prefeito Custódio Mattos (PSDB) pretende montar uma força-tarefa reunindo órgãos da administração direta e indireta e parceiros na comunidade, como o Corpo de Bombeiros, Forças Armadas, agentes comunitários de saúde e escolas da rede particular de ensino. "Nossos meios próprios não serão suficientes para essa guerra contra a dengue. Precisamos fazer parcerias", afirma.

    A primeira medida, segundo o prefeito, é levar a informação a todos os juizforanos. "A maioria dos focos de dengue foram encontrados dentro das residências. Por isso, a comunidade precisa estar ciente dos riscos para iniciar o combate à doença dentro de casa."

    Outra medida necessária é a organização do sistema de saúde, para evitar o congestionamento dos hospitais. "Com a população em estado de alerta, muitas pessoas vão direto aos hospitais sem passar pela atenção primária, o que prejudica o atendimento dos doentes", explica Eunice.

    Equipe insuficiente

    Com 106 agentes de endemia, a equipe da Secretaria de Saúde é considerada insuficiente para o combate à dengue em curto prazo. Segundo o cálculo do Ministério da Saúde é necessário um agente para cada mil imóveis. Para cumprir a meta inicial de fazer a inspeção e o combate aos focos em cem mil imóveis em 30 dias, a prefeitura precisaria de cerca de 190 agentes nas ruas.

    Foto da Coletiva Para isso, a idéia de Custódio é mobilizar os agentes comunitários de saúde para a ação preventiva. Um número ainda não divulgado de bombeiros também vai passar por treinamento para participar das vistorias.

    Os locais prioritários são onde o Liraa identificou maiores índices de infestação. Nesse caso, as equipes já iniciaram o retorno aos imóveis para prevenção. Para controle, é feito o monitoramento quinzenal nos pontos estratégicos cadastrados como de alto risco.

    Perigo dentro de casa

    O levantamento da prefeitura revela uma situação alarmante: a maior parte dos focos da dengue (28%) foram encontrados em depósitos móveis dentro das casas, como frascos, vasos, pingadouros e bebedouros. Em segundo lugar está o lixo (plásticos, latas e garrafas), onde os agentes identificaram 24% das larvas.

    A situação dos depósitos fixos, como calhas, lajes e tanques de obras também é preocupante. Neles, foram encontrados 17% dos focos, enquanto nos pneus o índice foi de 14%.

    Levantamento

    O Liraa é um método de amostragem preconizado pelo Ministério da Saúde para identificar os riscos da dengue nos municípios brasileiros. O primeiro levantamento feito em Juiz de Fora aconteceu no ano de 2004.

    Na primeira edição de 2009, os agentes de endemia vistoriaram 7.346 imóveis divididos em 17 estratos. Esse número corresponderia à 20% do total.

    O alto índice obtido demonstra a necessidade da elaboração de campanhas preventivas durante o inverno, para manter a população mobilizada para o controle do vetor.

    Município confirma primeira morte por dengue hemorrágica

    A Secretaria de Saúde anunciou a confirmação do primeiro óbito causado pela dengue hemorrágica no município. O resultado de um exame em um paciente que morreu em abril de 2008 foi divulgado nesta manhã, e preocupa o executivo municipal. "Quem já teve a dengue clássica, corre risco de contrair o tipo hemorrágico em uma segunda contaminação", alerta a secretária de saúde.

    Em 2008, foram registrados 417 casos de dengue autóctones em Juiz de Fora.

    Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypt (Liraa)
    Bairros que apresentaram maiores índices:
    *(Fonte: Prefeitura de Juiz de Fora)
    Bonfim
    Santa Rita
    Alto Santa Rita
    Marumbi
    Progesso
    Borborema
    Santa Paula
    7,7%
    Linhares
    Penitenciária
    Vila Almeida
    Fazenda do Yung
    Grajaú
    Alto Grajaú
    Nossa Senhora Aparecida
    São Tarcísio
    Ladeira
    Manoel Honório
    5,6%
    Amazonas
    Enconsta do Sol
    Francisco Bernardino
    Bairro Industrial
    São João
    São Dimas
    Carlos Chagas
    Esplanada
    Monte Castelo
    Fábrica
    4,5%


    * Patrícia Rossini é estudante de Comunicação Social da UFJF

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