Situação de assistentes administrativos é discutida em audiência

Vereadores criticaram a ausência do secretário de Administração e Recursos Humanos, Vitor Valverde

Thiago Stephan
Repórter
25/4/2012
Audiência Pública - Assistentes administrativos

Discutir com o Executivo a situação dos assistentes administrativos da Prefeitura, que reivindicam equiparação salarial a secretário escolar, cargo que acreditam ser semelhante. Mas, segundo diversos vereadores, o diálogo ficou comprometido, uma vez que o secretário de Administração e Recursos Humanos, Vitor Valverde, não compareceu, motivo de críticas também pelo presidente da casa, Carlos Bonifácio (PRB), que se manifestou contra o que considera falta de respeito com o Legislativo.

Por isso, Bonifácio recusou proposta do vereador Noraldino Júnior (PSC), líder de governo na Câmara, de criação de comissão para tratar do assunto. Por telefone, Noraldino agendou para o dia 8 de maio, às 15h, reunião da categoria, representada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserpu), na SARH.

A audiência pública foi proposta pelo vereador João do Joaninho (DEM). Ele revelou ter passado o tema na frente de outras duas audiências em razão das limitações impostas pelo ano eleitoral. Aos servidores, ele pediu união. "Vamos formar um bloco e partir para cima, aguardando a reunião do dia 8. Se não der para atender na íntegra, pelo menos que nos faça uma proposta", afirma o vereador em suas considerações finais. O salário inicial de um assistente administrativo é de R$ 671, enquanto o de secretário escolar é de R$ 1.187, conforme revelou o vereador Roberto Cupolillo (PT).

Apesar de não estar presente, Valverde enviou carta que foi lida por uma representante da SARH. No documento, ele relata que a situação dos assistentes administrativos faz parte da pauta de reivindicações apresentada pelo Sinserpu e que será discutida nos próximos dias. A carta também foi duramente criticada, chegando a ser chamada pelo vereador Flávio Cheker (PT) de embromação.

Segundo o assistente administrativo Anderson Furtado, a reivindicação da categoria data de 2008, quando o então vereador Pardal entrou com requerimento junto à Prefeitura, solicitando a revisão do quadro de carreira desses servidores. A luta continuou na atual administração. "Apresentamos ao secretário de Governo nossas reivindicações e, como não seríamos atendidos, a administração solicitou projeto alternativo. Foi quando fizemos o pedido de equiparação com secretário escolar", expôs na tribuna da Câmara, para depois, ao final da audiência, acrescentar: "A gente quer negociar. Não temos como parar nosso trabalho por ser uma atividade meio. Como a Prefeitura já atendeu outras categorias, queremos ser atendidos também. A máquina não funciona sem a gente", afirma.

Para vários vereadores que se pronunciaram durante a audiência, a categoria pode parar sim. "Paralisação é a única linguagem que a Prefeitura entende. O Executivo empurra com a barriga porque não quer atender", afirma Cheker. Isauro Calais (PMN) também se manifestou neste sentido: "Se for preciso parar, parem. Só assim o Vítor Valverde e o Custódio vão entender." Quem também se manifestou a favor de uma paralisação, caso seja inevitável, foi o presidente do Sinserpu, Amarildo Romanazzi. "Se for necessário cruzar os braços, problema desse governo. Falta respeito aos trabalhadores que carregam a Prefeitura no colo".

Em relação à carta enviada por Vítor Valverde, Wanderson Castelar (PT) ironizou o texto lembrando o personagem Valfrido Canavieira, do humorista Chico Anysio: "Palavras são palavras, nada mais que palavras." Depois, concluiu: "Do ponto de vista prático, a carta não é nada", disse, lembrando que até o ano passado assistentes administrativos da Prefeitura viviam uma situação que classificou como uma aberração: "Alguns deles recebiam menos de um salário mínimo por mês".

José Laerte (PSDB) disse ter sentido boa vontade do secretário de Administração e Recursos Humanos, Vitor Valverde, ao ouvir a leitura de sua carta, sendo vaiado pelo público que compareceu à audiência. Apesar disso, ele afirmou estar ao lado dos trabalhadores. "Acho que já passou da hora de resolver esse assunto", disse.

Os textos são revisados por Mariana Benicá

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