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    Ana Paula Ladeira Ana Paula Ladeira 14/04/2015

    O imbróglio da TV digital

    O recente anúncio da Anatel de que começará a desligar o sinal de TV analógico, a partir deste ano, pegou muita gente de surpresa. O processo de transição já começou em parte de Goiás e no Distrito Federal e a meta é de que, no próximo ano, 95 cidades passem a ter as transmissões televisivas feitas exclusivamente através do sinal digital. A previsão é de que o encerramento das transmissões analógicas ocorra até novembro de 2018.

    Este, porém, não é um processo simples. Como todos sabem, a transmissão digital demanda, por parte do telespectador, a troca do aparelho televisivo ou a compra de um conversor. Além disso, nem todas emissoras estão prontas para esta mudança. Vale lembrar que em muitos países desenvolvidos, como Japão, Canadá e Estados Unidos, houve um considerável atraso na transição da TV analógica para a TV digital. No Japão, país que desenvolveu o sistema de TV digital utilizado no Brasil, o processo também aconteceu gradualmente e foi necessária a ajuda do governo a pessoas idosas ou famílias de baixa renda para facilitar a aquisição de aparelhos conversores.

    Para agilizar o processo de desligamento dos sinais analógicos em nosso país, os beneficiários do programa Bolsa Família – que representam cerca de 14 milhões de lares – receberão conversores de TV digital. Com tal medida, pretende-se atingir a meta de cobertura do sinal digital em 93% dos lares brasileiros.

    A controvérsia em todo este processo está na meta estipulada pela própria Agência. Para que ela seja efetivamente cumprida, foi necessário que a Anatel excluísse de sua conta os muitos domicílios que recebem os sinais através de antena parabólica e de outros tantos que recebem os sinais através da TV por assinatura. Ou seja, excluindo de sua conta os 22 milhões de lares que captam os sinais da antena parabólica e os 19 milhões de assinantes da TV paga, fica muito mais fácil somar os prometidos 93% de cobertura do sinal digital no país. Para a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV (Abert), esta medida acabará excluindo as áreas rurais e aqueles domicílios em que a TV por assinatura não abrange os canais locais.

    A pressa do governo em atingir a meta tem uma justificativa: o governo leiloou, no ano passado, as faixas de transmissão de 700MHz, ainda ocupadas pelos canais de TV analógicos. Quando desocupadas pelos canais analógicos, estas faixas serão utilizadas pelas empresas de telefonia para a transmissão do sinal de Internet 4G.

    Para quem acessa ao site www.vocenatvdigital.com.br, é possível fazer uma estimativa de quando os sinais serão interrompidos em sua cidade. Em Juiz de Fora, por exemplo, a previsão é de que ocorra o desligamento do sinal analógico a partir de 25 de novembro de 2018.


    Ana Paula Ladeira é Jornalista pela Universidade Federal de Juiz de Fora e Doutora em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense. Pesquisa assuntos relacionados especialmente à TV.

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